BLOG DEDICADO À PROVINCIA DE NAMPULA- CONTRIBUINDO PARA UMA DEMOCRACIA VERDADEIRA EM MOCAMBIQUE

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ALL MENKIND WERE CREATED BY GOD AND ARE IQUAL BEFORE GOD, AND THERE IS WISDOM FROM GOD FOR ALL

Monday, January 17, 2011

Revelações de Jaime Khamba ensombram história da FRELIMO e Mondlane




Nos finais do ano de 2000, Fanuel Gideon Mahluza trouxe a lume informações até então desconhecidas contradizendo a versão oficial sobre a história da libertação nacional levada a cabo pelo partido no poder. Eis que cerca de três anos depois surge dos Estados Unidos da América um Moçambicano, ex-combatente da luta armada, corroborando com Mahluza, e de certo modo avançando detalhes.

Rodrigues Luís(Texto), Dinis Jossias(Fotos)

"A história da libertação Nacional tanto como a dos fundadores da FRELIMO não está a ser bem contada, pois o que se diz e esta escrito nos livros didácticos não corresponde a verdade”, eis as palavras com que Jaime Maurício Khamba, ex-combatente da libertação Nacional, actualmente a residir há 40 anos nos Estados Unidos da América (EUA), abriu a conversa com o Savana. Segundo Khamba, a razão que o levou a contactar o nosso Jornal prendo-se com o fornecimento de subsídios que possam esclarecer a história contemporânea, de modo a que os compatriotas entendam-na. Adianta ainda que, no País existe multa gente que, embora conhe­cendo os factos, refugia-se num silêncio cumpliscente.

Jaime Maurício Khamba, ou Ntema Ganda, como era conhecido no tempo de libertação nacional, jura de pés juntos que na formação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) os nomes hoje mencionados como sendo obreiros da unidade nacional não passa de uma invenção.

Para a nossa fonte, Eduardo Mondlane, 1º Presidente da FRELIMO, Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente e Joaquim Chissano, actual chefe de Estado, são figuras apon­tadas pelo nosso interlocutor como sendo os grandes ausentes na formação da Frelimo.

Segundo Jaime Khamba, na actual historiografia moçambicana, nomes como de Eduardo Mondlane, Samora Machel e muitas outras figuras na liderança da Frelimo são erradamente mencionadas como tendo participado na criação da FRELIMO. Todavia, "a verdade no meio desta mentira é que estas individualidades participaram activamente e contribuíram no sucesso da revolução que levou a queda do fascismo no nosso país".

Jaime khamba defende que a nova geração não deve ser refém das inverdades narradas em torno da história da Frelimo como uma frente, pois personalidades há que, embora em pleno gozo da vida, tem preferido a mudez como forma de omitir os factos em torno da formação da FRELIMO.

Marcelino dos Santos, Lopes Tembe Ndiomba, Abílio Araújo Matsinhe e muitos outros são mencionados pelo nosso interlocutor como sendo lendas vivas que deviam reescrever a história pois conhecem-na muito bem, mas pela posição tomada no Governo eles não são capazes de contar urna vez terem participado na elaboração de mentiras.

Para aquele ex-comba­tente, é duro reparar como o Presidente Joaquim Alberto Chissano, Marcelino dos Santos, Pascoal Mocumbi, Lopes Tembe Ndelane, Constâncio Ndiomba e Dr. Joaquim Boaventura Verimbo têm ignorado o reconhecimento daqueles que formaram a Frelimo, uma vez estão a par da veracidade sobre a fundação da FRELIMO.

Disse que a ideia de nascimento da FRELIMO surgiu numa fase em que os
três movimentos, nomeadamente a União Africana Nacional de Moçambique (MANU), Associação Africana de Moçambique (MAA) - uma união dos Macondes criada em 1960, e a UDENAMO, viviam um momento de grande tensão1.

"Vivia-se uma tensão étnica no nosso seio por haver também um grande número de iletrados. Eu e Adelino Gwambe, também, conhecido por Hlomulo, estudamos a forma de resolver a questão, Eu lhe sugeri que juntássemos estas organizações para formar uma só frente composta por 18 membros da comissão executiva a nível nacional", frisou Khamba.

O entrevistado disse ter igualmente proposto que, após a reunificação dos três movimentos, cada província deveria ter seus representantes e que a liderança desta frente teria que ser distribuída por todas as regiões do país. Disse ainda que "propus que os oficiais que não escreviam e nem falavam a língua Portuguesa deveriam ser eleitos vice-presidentes ou deputados. Gwambe concordou com todas as minhas propostas, excluindo a de que o executivo deveria ser composto por 18 membros, alegadamente porque o número era elevado, o que facilitaria a infiltração da polícia política portuguesa (PIDE).

A formação da FRELIMO

"Não é por acaso que Marcelino dos Santos recorre à primeira pessoa do singular gabando-se de ser Frelimo", pois aquele participara activamente na formação da Frelimo.

Segundo Jaime Khamba afirmou ter sido ele a sugerir a fusão dos três movimentos sem no entanto prever o nome que a mesma a organização passaria a denominar-se. O nome FRELIMO nasceu em Janeiro ou Março de 1962, em Accra, Ghana, durante uma conferência organizada pelo Dr. Nkwame Nkrumah, denominada "Conference of freedom fighters" ou seja conferência dos combatentes da liberdade 2.

De acordo com o nosso interlocutor, o nome FRELIMO foi sugerido pelo Fanuel Gideon Mahluza, vice-Presidente da UDENAMO, onde foi acolhido por maioria absoluta numa assembleia na qual fizeram parte Adelino Xitofo Gwambe, Marcelino dos Santos, David José Mabunda (presentemente em Michigan, EUA).

Após a escolha do nome submeteu-se à apreciação do Dr. Nkrumah, tendo ultimamente sido remetido ao Peter Mbju Koinange que era Secretário-Geral do movi­mento Pan Africano do Este e da África Central. Isto viria a culminar com a aprovação da denominação FRELIMO, após que a mesma viria a ser anunciada em Accra e Dar Es Salam. "Durante este período não estava presente nenhum dos nomes que hoje se ouve falar serem fundadores da FRELIMO, incluindo Mondlane, Machel ou simplesmente membros que estão no actual Governo.

Eu desafio as pessoas a terem que consultar as historiografias existentes em Tanzânia a Kenya, pois facto foi amplamente divulgado nos órgãos de informação. Só em Tanzânia podem procurar nos jornais "Nguromo" e "The Tanganyka Standard", enquanto isto em Kenya "The East African Standard" e The Daily Nation of Kenya", do período que vai desde Janeiro de 1961 até Junho de 1962" 3.

Khamba elucidou atra­vés dos documentos que possuía que apesar da organização ter sido for­mada em Fevereiro e Março foi formalizada no dia 25 de Junho 2.

Mondlane chega a FRELIMO na boleia das Nações Unidas

Um programa levado a cabo pelas Nações Unidas nos países de África, Ásia, América do Sul e Caraíbas cujo pano de fundo era a situação política nos territórios colonizados levou a que em 1962 deslocassem ao continente negro várias individualidades, uma das quais é o Dr. Eduardo Mondlane. Este, segundo a nossa fonte, antecipou-se à presença ou chegada, à Dar-Es-Salaam, da Comissão dos Assuntos políticos dos Países Africanos de Expressão Portuguesa, liderada por Archerk Maroul da Guiné Conacri.

Adelino Gwambe, Jaime Khamba, Lopes Tembe Ndelane (antigo embaixador Moçambicano na China e Zimbabwe), Filipe Samuel Magaia, António Tchapo, Miguel Marupa e outros, são que participaram no primeiro encontro com a comissão das Nações Unidas.

Poucos dias antes da chegada em Dar Es Salam da equipa das Nações Unidas, com a intenção de investigar sobre os assuntos dos países africanos de expressão portuguesa, percebe-se a presença do Dr. Eduardo Mondlane, numa altura em que Mabunda e Adelino Gwambe, na qualidade do Presidente da UDENAMO, tinham-se deslocado à Ghana.

Urias Simango

A sua saída provisória para Ghana, Gwambe e Mabunda atribuíram ao reverendo Urias Simango, que se juntara à UDENAMO através da uma organização denominada "Portuguese Easty African Society", fundada no Zimbabwe, a responsabilidade sobre a direcção, tendo como seu coadjuvante Paulo Gurnane.

Urias Simango é citado pelo nosso interlocutor como tendo criado base do movimento em várias posições. Ele fazia um trabalho intenso no Zimbabwe, através da "Portuguese Easty African Society", que se camuflava com a utilização de vestes de padres, de tal modo que recrutavam facilmente jovens à Rodésia, tanto como para Tanzânia. Naqueles anos Simango foi quem recrutou muitos Moçambicanos para a libertação do Pais.

"No dia em previsto para a realização da reunião com o responsável da Comissão dos Assuntos Políticos do Países Africanos de Expressão Portuguesa, Archerk Marouf, Eduardo Mondlane chegara ao palco da conferência, um edifício designado Nazmoja, acompanhado por tanzanianos, ao que os líderes das organizações, nomeada­mente UDENAMO e MANU, estranharam. Mal vi o Dr. Mondlane de imediato comuniquei ao reverendo Urias Simango e Paulo Gumane, os quais não acreditaram porque não tinham sido avisados sobre a sua vinda à África. Mas com a descrição que lhes forneci, Simango acreditou que tratava-se na verdade de Mondlane, tendo no entanto lá se dirigido a fim de desejar-lhe os cumpri­mentos de boas vindas", conforme afirmou Khamba. Simango chegara a Nazmoja após o Dr. Eduardo Mondlane ter apresentado a sua comunicação à referida comissão das Nações Unidas, denunciando, entre outras coisas, a violação dos direitos humanos. A sua inter­venção foi bastante louvada nos circuitos políticos tanto como na imprensa nomea­damente "Tanganyka Standard” que o citou como sendo um académico Moçambicano que lecciona no ensino superior."Syracuse University", em Nova Iorque.

Naquele dia, após Dr. Mondlane ter apresentado o seu, relatório, segundo recorda o nosso interlocutor, Urias Simango, representando as organizações UDENAMO e MANU também fê-lo sem no entanto entrar em fricções com o primeiro.

Recorde-se que nesta altura Hlomulo e Mabunda encontravam-se em Ghana. A estadia prolongara-se por longo tempo, ao ponto de se ter especulado que aqueles dois andavam a esquivar-se de Eduardo Mondlane.

Para Jaime Khamba, a verdade é que Gwambe, na qualidade de Presidente da UDENAMO, era na altura muito solicitado noutros países para debater questões da revolução contra os imperialistas. "Nessa altura havia rumores de que ele receava encontra-se com o Dr. Mondlane,' mas a verdade é que se encontrava em Nova Deli, na Índia, para assistir a Conferência de Juventude".

Noutros círculos, de acordo com o nosso interlocutor, o atraso de Gwambe era visto como uma forma de protesto contra Dr. Mondlane alegadamente por este, estando a residir na América, nunca ter-se empenhado nas actividades politicas à semelhança de alguns líderes intelectuais corno Dr. Hastings Kamuzu Banda, Jomo Kenyata, quando estes estavam ainda na Inglaterra. E não, por aquele ter visitado a sua família em Moçambique, em 1961, sem nenhum tipo de problema com os colonos, quando por aquela altura havia uma escalada de detenções em Moçambique e Angola.

Eleições na FRELIMO

Finalmente Adelino Gwambe chega à Tanzânia ido da Índia. Posto isto ele (Gwambe) e Eduardo Mondlane tiveram um encontro prolongado a portas fechadas. Segundo a nossa fonte, o tal encontro eram para ambos dissiparem equívocos sobre aquilo que tinha acompanhado em relação a ausência do Gwambe.

O Dr. Eduardo Mondlane e Reverendo Urias Simango eram apenas dois candidatos numa eleição renhida no dia 25 de Junho de 1962. Gwambe fez campanha para Simango mas mesmo assim o seu candidato preferido não passou. Eduardo Mondlane teve 51% de votos e o seu opositor Urias Simango foi confiado 49%, tendo em resultado do escrutínio o derrotado assumido o cargo de vice-Presidente do movimento, FRELIMO.

O primeiro presidente da Frelimo convidou, sem sucesso, Adelino Gwambe para ocupar o cargo de Secretário-Geral, ao que este recusara tendo sugerido que a função fosse assumida por David José Mabunda.

Staff da Frelimo (1962)

1. Dr. Eduardo Chivambo Mondlane - Presi­dente

2. Reverendo Urias Timóteo Simango - Vice Presidente

3. David José M. Ma­bunda - Secretário-Geral

4. Paulo J. Gumane - Vice-Secretário Geral

5. Jaime Mussadala - Tesoureiro Geral

6.João Mauenda - Vice-Tesoureiro

7. Rafael S. Nungu - Secretário Administrativo

8. Mateus M. Mmole – Vice-Secretário Administrativo 4

9. Lourenço Mutaca - Secretário Financeiro

10.Leo Milas - Secretá­rio de mobilização

11.Lourenço Millinga - Vice secretário de mobili­zação

12.Marcelino dos Santos - Secretário de assuntos exterior

13.F. Dewase - Secretá­rio da Juventude

Leo Milas cria bagunça

Logo que se concretizou a eleição de Dr. Mondlane para o cargo de presidente da Frelimo, o que foi interpretado que fora maquinada para que o mesmo tomasse o poder, de imediato o presidente da FRELIMO partiu para os Estados Unidos da América (EUA), deixando como substituto Leo Milas, um cidadão cuja nacionalidade desconhecíamos. O vice-presidente Reverendo Urias Simango, no lugar de dirigir, foi preterido.

A indicação de Leo Milas para velar pela FRELIMO no período de ausência de Mondlane mereceu aval do ex-presidente Julius Nyerere, que foi recomendado pelo presidente eleito no sentido lhe prestar todo o apoio necessário. Todavia, Milas começou a criar confusão no seio dos militantes, rasgando ordens de expulsão sem justa causa. Isto ocorre numa altura em que Marcelino dos Santos se encontrava em Marrocos, pois a sua nomeação para o cargo de secretário de assuntos exteriores nesta fase.

Usando os poderes que lhe tinham sido conferidos, Milas expulsou Ilegalmente Paulo Gumane, David Mabunda e outros. Leo Milas, que não tinha espírito de liderança, de acordo com Jaime Khamba, solicitou Marcelino dos Santos a escrever ao ex-Presidente do Uganda, Milton Obote, para perseguir os que fugiam de maus tratos no seio do movimento. O substituto de Mondlane também não poupou o reverendo Urias Simango demonstrando desrespeito a esta figura respeitada que servia da biblioteca de todas as organizações Africanas que se encontrava a preparar a revolução naquele país.

Marcelino dos Santos acusado de trair Sigauke


Conforme referimos acima, a nomeação de Marcelino dos Santos para o cargo de secretário dos assuntos exteriores da Frelimo foi feita numa altura em que se encontrava em Marrocos. Marcelino tinha sido suspenso da UDENAMO, por suspeitas de traição a Jaime Rivaz Sigauke, oficial daquele movimento que foi captu­rado na Rodésia em 1961 e deportado para Moçambique donde foi cair nas mãos dos portugueses.

A suspeita caiu para Marcelino dos Santos, segundo o nosso interlocutor, porque momentos antes da sua detenção na Rodésia, Sigauke teve confidências com este.

Ao longo do tempo, conforme conta Jaime Khamba, Marcelino dos Santos sentia-se inseguro no movimento por causa da sua cor. Santos (mestiço) julgava-se descriminado racialmente a ponto de em 1968 escrever no seu diário em língua Chinesa que os Moçambicanos viam nele como um não verdadeiro Africano.

Jaime Khamba disse que ele juntamente com o seu companheiro John Bande tiveram a oportunidade de reconhecer o diário de Marcelino dos Santos no
avião, quando uma delegação Chinesa, que partia à Moshi, uma zona de
Tanzânia para uma conferência de solidarie­dade Afro-Asiática, lhes
traduziu à letra o conteúdo dos escritos do secretário das relações exteriores. Os tais chineses ficaram impressionados com o nível de escrita de dos Santos.

Marcelino dos Santos é citado como tendo-se queixado ao Dr. Mondlane que a sua suspensão na UDENAMO "deveu-se aos problemas raciais, o que não é verdade porque antes da sua nomeação em 1961 em Marrocos como oficial da UDENAMO e da Confe­rência das Organizações da África Negra Sob Domínio Colonial Português (CONSP) nós já sabíamos que era um mestiço cujos parentes são Cabo-verdeanos. Nessa altura, Samora Machel e compa­nhia ainda não estavam dado muitos deles juntaram-se a nós em 1963, tendo contudo contribuído fortemente no desenvolvimento da revolu­ção.

SAVANA – 05.09.2003

_______

NOTAS (Baseadas na obra “MOZAMBIQUE - The Tortuous Road to Democracy” de João M. Cabrita (Macmillan, Londres e Nova Iorque, 2000)):

1. Khamba fala da fusão de três movimentos, nomeadamente a Udenamo, a MANU e a Makonde African Association (MAA). Na realidade, a fusão foi entre a Udenamo e a MANU. A MANU englobava as três alas da Makonde African Association (MAA) que se haviam coligado em Janeiro de 1961. As alas da MAA e os respectivos dirigentes eram os seguintes:



MAA (Dar-es-Salam) – Mateus Mmole



MAA (Zanzibar) – Ali Madebe



MAA (Mombaça) – Samuly Diankali



2. A fusão entre a Udenamo e a MANU ocorre em Dar-es-Salam a 24 de Maio de 1962, portanto antes da conferência de Acra. A conferência a que Khamba se refere como “Conference of freedom fighters” foi a «African Freedom Fighters Conference» que teve lugar em Acra nos finais de Maio e princípios de Junho de 1962, e não em “Janeiro ou Março de 1962”.



3. O comprovativo de que a «African Freedom Fighters Conference» realizou-se de Maio a Junho de 1962 é a notícia dada pelo jornal ganiano, Evening News, edição de 6 de Junho de 1962 (pp 1 e 2), com o título, “Mozambique Parties Answer Osagyefo’s ‘Close Ranks Call’”. “Osagyefo” (ou Redentor) era o título honorífico de Kwame Nkrumah.



4. A Mmole foi na realidade atribuído o cargo de tesoureiro. João Munguambe

foi designado secretário da defesa e segurança, tendo como adjunto Filipe Magaia.

Wednesday, January 12, 2011

Expansão da rede escolar, hospitais e energia: Bispos católicos encorajam Governo




Em comunicado tornado público esta semana, a Conferência Episcopal de Moçambique diz ser notória a preocupação do Estado em melhorar as vias de comunicação, incluindo a reabilitação de pontes.

“São todos passos importantes, porque significam o alívio da pobreza e meio caminho andado rumo ao desenvolvimento. Saudamos e encorajamos a sua continuação,” diz o comunicado reconhecendo, porém, que “ainda estamos longe do mínimo desejável”.

Num outro desenvolvimento, os religiosos apelam aos políticos para que invertam o cenário e reconheçam que a revisão da Constituição da República, a decorrer em breve, constitui “um momento e um exercício delicado”.

Refira-se que o partido Frelimo, no poder em Moçambique, defende a revisão da Constituição da República como imperativo nacional visando o aprimoramento e a consolidação da actual ordem constitucional.

“Acreditamos, no entanto, que a maturidade e a honestidade dos políticos prevaleçam e façam desse exercício uma oportunidade para Moçambique dar um verdadeiro exemplo de democracia”, diz o comunicado.

Porém, afirmam os bispos, “se houver alguma tentação para o contrário, que a experiência do monopartidarismo no passado persuada todos os políticos a desistirem dos seus maus intentos”.

Adiante, os bispos católicos alertam para um o eventual regresso ao monopartidarismo, mas não dão indicações claras do que está a acontecer nesse sentido. Falam do tráfico de pessoas e de órgãos humanos e manifestam a sua preocupação pelo fenómeno que alegadamente põe em perigo a vida da população.

“Não vou deixar a Frelimo rever a Constituição sem referendo”


Grande entrevista com Afonso Dhlakama



O líder do maior partido da oposição concedeu uma entrevista exclusiva ao Canalmoz, sobre as perspectivas do ano 2011, que iniciou há pouco mais dez dias. Dhlakama fala dos seus planos como líder do partido Renamo, dos planos partidários e da situação sócio política e económica do país no geral. Quanto à revisão da Constituição da República que está a ser preparada pelo partido Frelimo, Dhlakama diz que “não vai permitir a revisão” unilateral da Constituição sem antes haver uma consulta ao povo, através de referendo.
Canalmoz (Canal): Senhor presidente Dhlakama, está a começar um ano novo. Quais as perspectivas do partido Renamo?
Afonso Dhlakama (Dhlakama): As perspectivas são muitas porque estamos num país sem futuro. Um país com um povo sem esperança. Um país com a maioria da juventude, mulheres sem esperança do futuro, porque em Moçambique, no tempo colonial, os moçambicanos nunca se sentiram donos deste país. O mesmo acontece depois da independência. Mesmo com a assinatura dos Acordos de Roma (4 de Outubro de 1992), nada mudou. O povo continua a sofrer.
A comissão política da Renamo cá em Nampula, reuniu-se e chegou a conclusão que só a Renamo pode forçar o regime comunista da Frelimo a aceitar mudanças pacíficas, indo à discussão daquilo que é desejado pela maioria do povo moçambicano.


A Frelimo fala da economia de mercado, potencialização da agricultura, emprego para a juventude, tenta fazer umas reformas cosméticas que não são exactamente reformas que vão ao encontro de algum objectivo. Tenta fazer umas reformas para enganar o povo e isto tudo a Frelimo tenta projectar como se fossem as suas políticas. É realmente uma cópia daquilo que foi reivindicado pela Renamo. É aquilo que levou, como base, à luta da Renamo. O que faz com que, às vezes, fique satisfeito, pois isto leva a desacreditar naquela propaganda da Frelimo, quando diz que a Renamo fez uma guerra de desestabilização.
Canal: Mas ainda não falou das perspectivas para 2011
Dhlakama: Na minha mensagem do fim de ano, dirigida aos moçambicanos disse que 2011 seria um ano da vitória do povo moçambicano. Prometi que, pela primeira vez, o povo moçambicano havia de se sentir verdadeiro dono deste país. Porque? Porque eu tenho de facto um programa na manga.
Primeiro, já anunciámos no ano passado que pretendíamos negociar com a Frelimo tudo quanto programamos durante as negociações (de Roma) como a democracia multipartidária que a Frelimo está a violar.
A Frelimo está a lutar para destruir a democracia. É preciso negociar para que de facto a democracia seja consolidada e a paz seja mantida como um objecto adquirido pelo povo moçambicano com muito sacrifício. Portanto, queremos negociar com a Frelimo um Acordo de Paz, até rever tudo quanto não está aser comprido pelo Partido Frelimo, para forçá-lo a aceitar.
Canal: O que a Renamo pretende negociar, especificamente?
Dhlakama: Uma das coisas é rever os princípios básicos, sobretudo a criação do exército apartidário que a Frelimo já destruiu. O exército tornou-se partidário. Para ser general, comandante de uma companhia, é preciso ter cartão do partido Frelimo e aceitar os seus princípios, violando assim o que foi acordado em Roma.
Eu não vou exigir que aqueles que foram corridos do exército regressem, mas que a Frelimo diga o que é que tinham aqueles que foram corridos do exército. Se me disserem que não tinham habilitações ou não procediam bem, então eu vou apresentar quadros bons, com habilitações e capacidades académicas para preencher as vagas no exército. Isto é o que se chama realmente de reconciliação nacional, estar em pé de igualdade com aqueles que chamavam de inimigo.
Vamos também exigir a destituição de outras instituições que a Frelimo criou, violando o acordo. Não estava previsto que a Frelimo criasse a Força de Intervenção Rápida (FIR). Aquele é um exército da Frelimo. Na Intervenção Rápida não há sequer um que tenha sido guerrilheiro da Renamo. Esta força está composta por todos aqueles que lutaram do lado da Frelimo contra a Renamo durante os 16 anos. Veja lá, é uma violação total do acordo. Quer dizer que criamos o exército e a Frelimo depois criou um outro exército que tem como inimigo a Renamo.
São eles (os agentes da FIR) que matam os moçambicanos. Os agentes da FIR ganham muito bem, têm melhores carros e o exército não tem nada, nem comida, nem fardamento porque estão lá os guerrilheiros vindos da Renamo. O que nós queremos é que a Frelimo ou extingue a FIR ou vamos meter também os nossos para que 50% sejam da Renamo e 50% da Frelimo. É a FIR que está a criar instabilidade. Mata todos os que consideram inimigos da Frelimo.
Na PRM, vamos exigir reformas visíveis. No Acordo Geral de Paz está escrito uma cláusula sobre a Polícia. Nós queríamos meter os nossos homens na polícia, mas para facilitarmos o acordo, fechamos os olhos e a Frelimo prometeu que depois do AGP o governo moçambicano havia de proceder a reformas visíveis e verdadeiras, retirando os velhos, treinando a PRM para conhecer a lei, que era para proteger a todos.
Após o AGP, a PRM piorou tudo quanto é formado para a PRM. Tudo é feito com o princípio de odiar a Renamo. Vamos exigir que 50% da PRM sejam nossos homens.
Em termos de política, vamos negociar o fim do roubo de votos. É preciso que haja revisão do pacote eleitoral. A Frelimo negou a criação da Comissão ad-hoc para rever a Lei Eleitoral, empurraram tudo para uma comissão especializada onde está o Alfredo Gamito. Isto é brincadeira. Não vai acontecer nenhuma reforma séria. Este pacote eleitoral permite o enchimento de votos nas urnas.
O STAE é da Frelimo. O Secretariado Técnico da Administração Eleitoral é que é o dono do processo, as comissões eleitorais nada fazem. Tecnicamente quem prepara a fraude é o STAE. A Frelimo alega que os partidos não podem estar no STAE por ser do Estado e em Moçambique não há um Estado diferente da Frelimo por isso todos os funcionários públicos são obrigados a ter cartões do partido. O que está a acontecer é que a Frelimo está a enganar outras forças políticas da oposição políticas para poderem roubar e é por issoque durante as eleições de 2009, dez dias antes do dia 28 de Outubro, dia da votação, já havia boletins de voto preenchidos a favor de Guebuza e da Frelimo. O STAE forneceu os boletins à Frelimo que mandou fabricar mais de dez milhões e distribuiu aos camaradas. É preciso que haja uma revisão séria do pacote eleitoral e não aquela fantochada que estão a fazer na Assembleia da República.
Nós sabemos que a Frelimo não vai aceitar, mas terá que aceitar se não vai haver consequências. Todos sabem da fraude que a Frelimo provoca. Se o Conselho Constitucional não fosse composto por pessoas escolhidas pela confiança política, o seu presidente na condição de um jurista havia de mandar invalidar os resultados, mas não pode porque tudo aquilo é uma fantochada.
Estas coisas todas devem ser negociadas fora da Assembleia da República. Como sabe, nós criamos um grupo de negociações que já esteve no Maputo e a Frelimo pediu a nossa agenda e a biografia dos membros do grupo. A maioria da Frelimo sabe que esta é a única saída, porque as brincadeiras são visíveis. Estas perspectivas são para o bem do País. Nós estamos à espera que a Frelimo nos diga que já tem o grupo preparado para agenda, sentar e negociar.
Canal: Da Frelimo já surgiu reacção de rejeição à negociação proposta pela Renamo. O que pretende fazer a Renamo? Não haverá aqui instabilidade que possa perigar a paz?
Dhlakama: Eu penso que em termos de perigar a paz não, porque não vai haver guerra. A Renamo vai usar a força pacífica, não vai usar a força militar. Eu vou dizer-te uma coisa que a população me disse em Angoche, Nacala, Memba. A população disse-me que não vale a pena perder tempo em ir a guerra. Vamos rebentar com eles. “Nós, população, não precisamos de armas, temos catanas, enxadas paus para lhes enfrentar. Estamos cansados porque não estamos a ver desenvolvimento nenhum, nem a paz. Estamos a trabalhar como escravos desta meia dúzia de comunistas”. Isto foi dito pelas populações. Os jornalistas que lá estiveram se não tiveram coragem de reportarem estas palavras, tiveram receio. Disseram também que “você está a vender-nos à Frelimo. Vamos dividir o país pelo Rio Save porque o sul pertence a Frelimo, são tribalistas”. Eu acredito que o próprio Guebuza sabe disso porque eles têm o sistema de espionagem que vê todos os meus comícios. Não estou a exagerar, acredito que o próprio Guebuza tem todas estas imagens.
Eu não irei contrariar ao povo, mas eu lhes disse que guerra “não”, porque sei o que a guerra causa. A situação está péssima e a Frelimo não pode dizer que Dhlakama é que está a instigar à violência.
“Não vou permitir a revisão da constituição sem referendo”
Canal: Sobre a revisão da constituição anunciada pelo partido Frelimo, o que tem a dizer?
Dhlakama: A Frelimo quer a mudança da constituição para copiar Angola, para que o Presidente da República (PR) seja eleito pela Assembleia da República (AR). Já não quer que o presidente seja eleito directamente pela população. É descabido. O PR é o símbolo do país por isso a sua eleição deve ser directa e universal.
A Frelimo quer encher votos para depois eleger um traficante na AR e dizer que é o PR? Eu não vou permitir. Se eles querem este modelo nós não queremos. Queremos que o PR seja um homem forte que venha da vontade do povo. Não é delegar a uma Assembleia da República. Eles vão tentar fazer e usar a maioria na AR. Isto não vai funcionar.
Eu prometo fazer um trabalho fora da AR para fazer recuar a Frelimo. Se eles querem rever para mostrar que são democratas, então vamos fazer o referendo. Eu vou defender e o ponto do Dhlakama é: O PR deve continuar a sair da vontade do povo.
Canal: No ano passado anunciou, no âmbito das medidas de segurança da Renamo, a construção de um Estado-Maior General. Este processo vai continuar este ano?
Dhlakama: Sim, senhor. Vai continuar, e isto esperávamos pelo Conselho Nacional, que devia ser realizado cá em Nampula, para tomar decisões sobre como assegurar a democracia dentro do partido. Não chegámos a realizar o Conselho Nacional no ano passado, mas vai ser neste, na primeira quinzena de Fevereiro. Lá serão definidos como serão estes comandantes e posso adiantar, como a capital política nacional é aqui, o Estado-Maior General vai ser em Sofala, em particular na Gorongosa.

(Entrevista conduzida por Aunício da Silva)

CANALMOZ - 12.01.2011

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Wednesday, January 5, 2011

PORQUE SÃO CRISTÃOS OS MAIS PERSEGUIDOS EM TODO O MUNDO?

PERSEGUIDOS POR PALAVRAS E OBRAS

Atentados Suicidas em Igrejas mataram inúmeros Cristãos na Época do Natal

António Justo

A perseguição aos cristãos matou mais pessoas nos últimos cem anos do que em toda a sua História anterior. O anti-cristianismo raramente é tematizado nos Meios de Comunicação Social pelo facto de os cristãos não se defenderem e assim não se tornarem públicos. Na linguagem corrente o conceito “anti-cristianismo” não é usado. O que não existe nos conceitos não existe na consciência do povo!...

Os cristãos são o grupo mais perseguido do mundo. São alvo de racistas e de pretensos anti-racistas. No mundo árabe e asiático são vítimas de assassinos, perseguição e racismo. Entre nós são vítimas da arma da palavra ou do esquecimento. Tornou-se chique, na opinião publicada e em conversas privadas, ser-se anticristão, anti-papa ou até justificar-se os ataques à bomba de hoje com o passado, como cruzadas, etc. Uma luta cultural insidiosa de militantes do secularismo contra o catolicismo/cristianismo procura atribuir, tudo o que houve de abominável na história política e económica, aos cristãos e não ao cidadão ou ao governo secular de então. Sem se diferenciar, reduz-se o Cristianismo a um bidé onde se lavam as próprias impurezas.

Tornou-se chique falar de anti-semitismo, de anti-arabismo, anticomunismo, de racismo contra ciganos mas não é chique falar-se de anti-cristianismo ou de anti-catolicismo. Vê-se o argueiro no olho dos outros mas não se nota a tranca que se tem nos próprios olhos. Atacam-se os outros para se defender os seus. O anti-cristianismo é descurado nos Media porque os cristãos não se defendem e porque os extremistas do secularismo iluminado precisam do catolicismo como área de projecção, como terreno inimigo a combater. Quem não tem o Islão e outros como inimigo precisa do cristianismo como adversário. O racismo cultural solidariza-se contra os preconceitos contra minorias de outras culturas e aninha-se na própria cultura numa opinião publicada enegrecedora do Cristianismo e falsificadora dos factos. Vive-se bem da mentira das meias verdades. Facto é que o Homem tem em si partes divinas e partes diabólicas independentemente de seu ser de cristão, maçónico, comunista ou capitalista, etc.

Mede-se com duas medidas. O que acontece de mau nos países muçulmanos é visto como obra de extremistas, porém o que aconteceu de mal na História passada é visto como obra dos cristãos. Na nossa sociedade, a difamação de minorias é vista como preconceito, enquanto a difamação de maiorias é legitimada ou aceite. Falta o conhecimento e humanidade. O preconceito contra o Islão deixa de o ser quando se expressa contra os cristãos.
Os Media nos seus títulos falam de “violência depois do atentado na Igreja”; as pessoas assassinadas na Igreja escrevem-se em letras pequenas e à margem da notícia.

PORQUE SÃO OS CRISTÃOS O GRUPO MAIS PERSEGUIDO NO MUNDO?

O Cristianismo é um factor desmancha-prazeres para detentores do poder e carreiristas. Ele coloca o interesse da pessoa no centro e em segundo plano os interesses de economias, ideologias, culturas e estruturas sociais. Todas as estruturas do poder não se sentem bem ao verificarem que uma estrutura global, como o Catolicismo, se erga, globalmente, como voz das pessoas sem voz. Muitos poderosos, especialmente na África e na Ásia, constatam que onde os cristãos estiveram, a democracia, a liberdade política e religiosa, os direitos humanos começaram, por primeiro, a germinar, apesar da corrupção inerente à pessoa. Isto complica-lhes o domínio.

O cristianismo não pertence a nenhuma cultura, raça, sistema ou ideologia; o seu lugar é o Homem e o seu Deus encontra-se no interior de cada pessoa independentemente de confissões religiosas e da crença em Deus. Isto perturba e torna-se numa “ameaça” para quem quer fazer o seu negócio, sem problemas de consciência, à custa da pessoa. O cristianismo é perseguido em toda a parte porque é mais que uma crença, é mais que uma religião. Ele é a religião, a filosofia, do Homem individual integrado na comunidade universal sempre a caminho e sempre em revelação! Consequentemente a dignidade humana encontra-se no Homem e não fora dele; ela não se encontra na cultura, na Constituição, na religião nem na nação. O lugar de Deus é o Homem e isto perturba todas as estruturas e ideologias. Por isso estruturas e sistemas de poder da humanidade passarão mas o cristianismo não passará. Tudo o que verdadeiramente serve o Homem no seu ser humano, permanecerá, o resto passará. Assim, as estruturas e as formas do poder serão sempre relativas e passageiras e os poderosos encontrarão a barreira do Homem, com a sua dignidade, ao seu poder. As culturas, os partidos, as formas de governo passarão, o cristianismo, no que tem de matriz humana e cósmica não passará. Naturalmente que muitos cristãos e não cristãos só conhecem e se interessam pelo folclore cristão. Esta é também uma realidade humana.

No Natal foram assassinados 86 cristãos na Nigéria; nas Filipinas, devido a um atentado à bomba, foram feridas 11 pessoas numa missa de Natal; no Iraque no Natal houve atentados a casas de cristãos e foram impedidas as missas devido a ameaças de islamistas; na passagem de ano, no Egipto, com um atentado a uma Igreja foram mortos 21 cristãos e 97 feridos; no Paquistão donzelas e mulheres cristãs são violadas por muçulmanos para assim ficarem estigmatizadas como “impuras” na sua cultura. Meninas cristãs de 12-13 anos são violadas por muçulmanos, ficando assim impedidas de casar. Por estes e outros meios se impede a proliferação dos cristãos. O maior problema está no facto de tudo isto acontecer no meio do povo sem uma palavra que se levante em defesa dos inocentes. Segundo o Corão todos os meios que sirvam o Islão são legítimos.

O atentado assassino do Egipto é atribuído a uma rede de terror de fora do país e o governo egípcio fala como se os cristãos coptas do Egipto não fossem discriminados. Por um lado são discriminados e por outro lado, procura-se através de ofertas de dinheiro e de ofertas de perspectivas profissionais levá-los à conversão, como me testemunhava um estudante egípcio na Alemanha. No momento em que os muçulmanos atingem 50% da população duma região ou país, passam à ofensiva, exigindo a independência e discriminando os outros com as suas leis de maneira a torná-los minoria. No sentido islâmico, a História da perseguição muçulmana nos países onde dominam é uma História de “sucesso”, como mostra a perseguição da Turquia aos cristãos com o holocausto aos cristãos arménios. Nos últimos 100 anos, a Turquia conseguiu reduzir os cristãos de 25% da população para 0,1% actualmente. A discriminação no Sudão, no Egipto e muitos outros países segue a mesma lógica. No Iraque a perseguição em curso contra os cristãos conseguiu reduzi-los de 1,5 milhões para menos de meio milhão.

Países islâmicos tornaram-se no Inferno ou pelo menos no Purgatório dos Cristãos embora esses países sejam a sua terra natal. Os nossos políticos não acreditam no “Inferno”, por isso não há uma perspectiva de paraíso para eles, nos países em que são perseguidos.

O filósofo judeu Bernard Henry Levy constata que “os cristãos formam hoje, à escala planetária, a comunidade perseguida da forma mais violenta e na maior impunidade.” Esta realidade é calada e até justificada, como se todo o mal do mundo fosse culpa dos cristãos. Esta realidade tem de ser calada para se ter uma “boa consciência”!
António da Cunha Duarte Justo

Monday, January 3, 2011

Mensagem do Presidente Daviz Simango



Moçambicanas e Moçambicanos

Caros concidadãos

Estamos a escassos dias da comemoração do Natal, Dia da Família, e também do Fim-do-Ano e Ano Novo. Tomamos a liberdade de Vos dirigir umas palavras de afecto, amizade e consideração.

Natal é a celebração do grande amor de Deus, o dia em que Jesus nasceu, trazendo ao Mundo a Paz, luz, amor, esperança, uma nova vida.

O filho de Deus, Jesus de Nazaré, nasceu em Belém, como uma criança humilde e marginalizada e encontrou todas e todos neste mundo, oferecendo-lhes a presença e a reconciliação de Deus.

Hoje é momento de libertar os olhos, de reavivar a esperança, acreditando que esta data há-de promover na humanidade um sopro de vida do qual tanto necessitamos.

Esperamos que com a imagem do menino Jesus, que nos vem à mente, os nossos corações sejam premiados pela Paz, fraternidade e amor ao próximo.

Esta Paz, Fraternidade e Amor ao Próximo, nos conduz a um sólido Dia da Família, em que temos de acreditar nos sonhos e sabermos que somos capazes de realizá-los, com confiança e esperança direccionados para um MOÇAMBIQUE PARA TODOS.

O DIA DA FAMÍLIA é o dia da união dos moçambicanos, independentemente do seu credo, raça e posição ideológica.

Apesar da exclusão social no que tange à participação na vida democrática do País, sem esquecermos que no ano prestes a terminar vivemos momentos de tensão caracterizados por manifestações contra o alto custo de vida, queremos incentivar todas e todos a prosseguirem, com determinação, a luta para conseguirmos mudar Moçambique.

Para que se torne realmente um espaço para todos, feliz e próspero, Moçambique tem mesmo de mudar.

Este ano, também não podemos deixar acabar sem nos lembrarmos das violações de direitos humanos a vários níveis.

Não nos podemos esquecer da arrogância dos dirigentes corruptos.

Não nos podemos esquecer do abuso das suas atribuições. Como adquirem riqueza. O destino estranho que dão à riqueza do Estado.

Também não podemos deixar o ano findar sem nos lembrarmos que persistiu a falta de segurança alimentar. Houve assassinatos de agentes do Estado. Houve reprovações nas escolas, sem procedentes. As nossas fronteiras continuaram frágeis. A partidarização das instituições públicas continuou e cresceu. As condições sociais dos funcionários públicos continuaram esquecidas. O desemprego não diminuiu. Os jovens continuam sem habitação e sem perspectivas.

Aumentou o tráfico de pessoas e de drogas.

O país está transformado num corredor de drogas, como nos tem sido dado a conhecer.

A arrogância da maioria Parlamentar na Assembleia da Republica, que anda a reboque do Governo; a concentração dos interesses económicos nas mãos dum clube de amigos, entre outros aspectos que retardam o desenvolvimento sustentável de que precisamos em Moçambique, também esteve visível a todos os níveis neste ano de 2010.

Mas o que dizer aos compatriotas perante estes factos?

Não há outra saída que não seja continuarmos a lutar pelos nossos direitos, pelo respeito à Constituição e pela valorização do interesse do País e dos seus cidadãos.

O Movimento Democrático de Moçambique continuará a querer juntar-se às várias vozes na luta pelo progresso democrático.

Como me tem sido transmitido pelos cidadãos que me têm abordado, é com grande satisfação que constato que permanece viva a chama para nos libertamos das amarras que têm impedido que a Democracia cresça e o País se desenvolva mais rapidamente.

É ainda com grande satisfação que vejo o Povo Moçambicano determinado a lutar sem receio, sinal de que acredita que a Liberdade está cada vez mais próxima. É possível!

No Ano Novo prestes a começar, a Família Moçambicana deverá continuar a lutar para que a Moçambicanidade deixe de estar refém de um pequeno punhado de pessoas não interessadas na libertação do Homem, na Justiça e na Solidariedade.

O MDM continuará a manter-se ao Vosso lado e mantém o compromisso de trabalhar arduamente.

Todas as energias e todos os meios possíveis serão colocados ao serviço do ideal reflectido no lema MOÇAMBIQUE PARA TODOS.

O MDM é hoje uma realidade. Está disseminado pelo País. É um Movimento imparável. Abarca todos nacionais, jovens e velhos, homens e mulheres e crianças, deficientes, combatentes da libertação nacional e todos aqueles irmãos que lutaram pela Democracia, no sentido mais amplo do termo.

Queremos reiterar a nossa convicção de que MOÇAMBIQUE PARA TODOS significa que a nossa meta é a devolução da honra aos moçambicanos.

Tudo continuaremos a fazer para que a dignidade que continua a ser recusada aos Moçambicanos seja um dia reconquistada.

Um determinado grupo Político, dominado, por seu turno, por um punhado de homens que se servem do Estado para enriquecerem, insiste em manipular tudo e todos. Os recursos do Estado continuam a beneficiar pessoas que transformaram o Estado em sua propriedade. Servem-se do Estado para conseguirem os seus intentos.

Mas apesar de tudo, é importante sublinhar que ao termos em breve a iniciar um Ano Novo abre-se-nos uma luz de esperança.

Impõe-se que trabalhemos para a aprovação do pacote eleitoral, através do Parlamento, no sentido de termos eleições livres, justas e transparentes, a partir das quais se possa iniciar uma nova Era que nos permita começar a equilibrar a distribuição do rendimento nacional.

Caros Compatriotas,

A Mudança é possível. A alternativa é também possível. O importante é que estejamos unidos e comprometidos com o objectivo de mudar o estado de coisas a que um grupo de cidadãos conduziu Moçambique.

Pedra a pedra construiremos com orgulho a nação Moçambicana na diversidade.

Este país é rico. Não é pobre, como dizem. A riqueza tem sido, isso sim, mal distribuída.

Os recursos extraídos no campo, nos distritos e postos administrativos, devem ser melhor fiscalizados.

As comunidades rurais desejam usufruir das contrapartidas a que têm direito por isso são parte determinante desta luta que temos para tornar Moçambique um país para todos.

A mudança é possível.

A eliminação das assimetrias locais, se houver vontade política e se todos estivermos determinados a participar nesta luta, pode ser conseguida.

O MDM é uma força genuinamente inspirada em valores éticos e morais, por isso reafirmamos a nossa abertura a todos os moçambicanos que pugnam pelo espírito do nacionalismo segundo o qual o Estado deve servir os cidadãos.

Pugnamos por termos um Estado que não continue refém de uma minoria de cidadãos.

Está claro que esse pequeno grupo sobrevive à custa dos nossos impostos, enquanto a todo um Povo, vem sendo, insistente e ininterruptamente, recusado o desiderato de MOÇAMBIQUE PARA TODOS.

A sabedoria moçambicana mostra-nos que a roda da razão tem girado a favor da maioria do povo. Pode tardar mas é inevitável que não tarde o sol brilhe para todos nós.

Os ventos da história mostram-nos que com a participação activa de todos, mulheres, homens, jovens, idosos, deficientes e excluídos, é possível viramos a mesa e repormos o Direito de sermos moçambicanos.

Não podemos continuar a admitir que a sorte da maioria não seja a mesma de um punhado que insiste em negar aos demais os mesmos direitos de cidadania.

O MDM reitera o seu compromisso de promover a estabilidade social do trabalhador e da família moçambicana.

O MDM insiste que a credibilidade das Instituições públicas transformadas em saco azul da elite política dirigente não pode continuar a ser deixada ao livre arbítrio de um punhado de salteadores do Estado.

O MDM reitera por isso o compromisso de separar os negócios da política, que é quanto a nós a razão, a causa principal da promiscuidade que afecta as nossas instituições públicas.

O nosso Estado tem de deixar de continuar no descrédito.

O nosso Estado tem de deixar de estar nas mãos de narcotraficantes.

A “gangsterização” do nosso Estado, por via da “gangsterização” da classe dirigente, tem de acabar.

O MDM propugna pelo objectivo de termos um Estado que coordena os interesses mais amplos, abre oportunidades a todos, sempre iguais, a empresários locais e estrangeiros, fomentando o emprego e gerando riqueza.

O MDM não consente admitir que nos mantenhamos inertes, passivos, ao vermos a maioria esmagadora dos cidadãos continuarem atrelados aos Dumba-nengues e Tchungamoios.

Desejamos que a nossa juventude que vive com baixa renda a tocar as raias da miséria, participe activamente e como construtora do País para que o nosso Produto Interno Bruto cresça com o contributo de todos, pois essa entendemos ser a única via para se poder atingir um crescimento sustentável e acima de dois dígitos que possa assim superar o crescimento da população sem que se verifique crescimento da pobreza como está a suceder.

Permitam-me a terminar, desejar a todos, em nome de todos os membros e simpatizantes do MDM, e em meu nome pessoal, um Natal Feliz, um Dia Família e um Ano Novo, cheios de Paz, Amor, Saúde, Amizade e Repleto de Esperança.

Estendo também votos de Festas Felizes a todos os expatriados que vivem no nosso País.

Que Deus abençoe a Família Moçambicana e nos ilumine nas tarefas que a História nos confere.

Daviz Mbepo Simango, Eng° Civil

(Presidente do Movimento Democrático de Moçambique)