BLOG DEDICADO À PROVINCIA DE NAMPULA- CONTRIBUINDO PARA UMA DEMOCRACIA VERDADEIRA EM MOCAMBIQUE

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Thursday, March 3, 2011

MPLA alarmado com convocação de greve




“A reacção do MPLA vale mais do que a própria convocatória, acaba por demonstrar a fraqueza do próprio regime. não havia necessidade de responder a uma convocatória anónima”

O que começou por ser visto como algo pouco sério tornou-se, nos últimos dias, motivo de apreensão para o regime angolano. Um apelo anónimo a uma manifestação anti-governamental, em Luanda, no próximo dia 7 de Março, provocou reacções de nervosismo na esfera do poder e as informações de terça-feira davam conta da convocatória, para este sábado, de uma concentração de apoio ao partido do governo, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), segundo “O Público”.
“Há muito nervosismo e redobrou-se a acção policial”, disse ao “Público” o jornalista e activista anti-corrupção Rafael Marques, que confirmou a convocatória de uma contra-manifestação para dia 5. “É o MPLA que transforma (a convocatória) num evento mediático ao reagir e tomar medidas preventivas excessivas”, considera. “A reacção do MPLA vale mais do que a própria convocatória, acaba por demonstrar a fraqueza do próprio regime. não havia necessidade de responder a uma convocatória anónima”.

O apelo a um protesto contra o regime de José Eduardo dos Santos, à imagem das revoltas no Norte de África, e aparentemente influenciado por elas, é uma mensagem sob o título “Nova Revolução do povo angolano”, que corre há cerca de duas semanas na internet. “A manifestação anti-governamental em Angola vai começar no dia 7 de Março de 2011, de Cabinda ao Cunene. O acto central terá lugar no Largo da Independência em Luanda. Em toda a Angola, vamos marchar com cartazes exigindo a saída do Ze Du, seus ministros e companheiros corruptos”, refere a convocatória.

Fonte:Jornal O País»

Líbia: Silêncio africano é "alarmante" e um "embaraço"

Analistas mencionam "solidariedade", dinheiro e "cumplicidade" pelas razões do silêncio

O silêncio dos países africanos e da União Africana sobre a situação na Líbia é “alarmante”, um “embaraço” e põe em causa as pretensões de África de jogar um papel na cena política internacional, disseram analistas contactados pela Voz da América.
Com efeito enquanto a Líbia resvala cada vez mais para uma situação de guerra civil os países africanos e a União Africana têm na generalidade mantido o silêncio sobre essa situação.
O antigo director de governação na comissão económica para África das Nações Unidas Okey Onyejekwe disse que o silêncio da União Africana é alarmante. Interrogado sobre o porque desse silencio Onyejekwe disse que uma das possibilidades é que “alguns países africanos se identificam com Gadaffi e por isso estão muito relutantes em criticarem o que se passa”. “Outros afirmam que Gaddafi tem doado dinheiro e feito investimentos em vários países africanos e dai a reticência em criticarem,” acrescentou.
O Dr. António Gaspar do Instituto Superior de Relações Internacionais no Maputo em Moçambique disse que a União Africana tinha discutido a possibilidade de enviar uma delegação á Líbia para averiguar a situação “in loco” e fez notar o peso que a Líbia tem dentro da União Africana como membro fundador da organização.


Por outro lado, disse António Gaspar, o envolvimento de instituições internacionais em problemas como o da Líbia tende a abafar o papel de instituições regionais como a União Africana e a própria Liga Árabe.
Mas de qualquer modo, disse Gaspar “esse silêncio não ajuda a esclarecer as pessoas” e pode dar a entender “um abandono” da Líbia
O Dr. António Gaspar disse ainda que em nome da solidariedade africana África corre o risco de ser tornar cúmplice de graves violações do direito internacional e dos direitos humanos. Gaspar fez notar que muitas vezes isto se deve a relações que vêm de longa data.
Essa “interligação muito forte” leva a que muitos países vejam a critica como se “estando a ver a si próprio, como se estivessem a olhar para o espelho”, reflectindo uma “geração que vem de muito longe no poder”.
Para António Gaspar não se trata de solidariedade mas sim de cumplicidade.
“Essa cumplicidade cria alguns embaraços,” acrescentou.
Okey Onyejekwe diz que esta situação afecta a diplomacia africana.
“Um dos desafios a que os estados africanos têm que fazer face esta década é a questão de se tornarem relevantes na política global,” disse.
“Se queremos ter um papel activo e se queremos ser tomados a sério em política global temos que fazer ouvir as nossas vozes em questões como esta,” acrescentou.
VOA – 02.03.2011

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Líbia: Silêncio africano é "alarmante" e um "embaraço"

Analistas mencionam "solidariedade", dinheiro e "cumplicidade" pelas razões do silêncio

O silêncio dos países africanos e da União Africana sobre a situação na Líbia é “alarmante”, um “embaraço” e põe em causa as pretensões de África de jogar um papel na cena política internacional, disseram analistas contactados pela Voz da América.
Com efeito enquanto a Líbia resvala cada vez mais para uma situação de guerra civil os países africanos e a União Africana têm na generalidade mantido o silêncio sobre essa situação.
O antigo director de governação na comissão económica para África das Nações Unidas Okey Onyejekwe disse que o silêncio da União Africana é alarmante. Interrogado sobre o porque desse silencio Onyejekwe disse que uma das possibilidades é que “alguns países africanos se identificam com Gadaffi e por isso estão muito relutantes em criticarem o que se passa”. “Outros afirmam que Gaddafi tem doado dinheiro e feito investimentos em vários países africanos e dai a reticência em criticarem,” acrescentou.
O Dr. António Gaspar do Instituto Superior de Relações Internacionais no Maputo em Moçambique disse que a União Africana tinha discutido a possibilidade de enviar uma delegação á Líbia para averiguar a situação “in loco” e fez notar o peso que a Líbia tem dentro da União Africana como membro fundador da organização.


Por outro lado, disse António Gaspar, o envolvimento de instituições internacionais em problemas como o da Líbia tende a abafar o papel de instituições regionais como a União Africana e a própria Liga Árabe.
Mas de qualquer modo, disse Gaspar “esse silêncio não ajuda a esclarecer as pessoas” e pode dar a entender “um abandono” da Líbia
O Dr. António Gaspar disse ainda que em nome da solidariedade africana África corre o risco de ser tornar cúmplice de graves violações do direito internacional e dos direitos humanos. Gaspar fez notar que muitas vezes isto se deve a relações que vêm de longa data.
Essa “interligação muito forte” leva a que muitos países vejam a critica como se “estando a ver a si próprio, como se estivessem a olhar para o espelho”, reflectindo uma “geração que vem de muito longe no poder”.
Para António Gaspar não se trata de solidariedade mas sim de cumplicidade.
“Essa cumplicidade cria alguns embaraços,” acrescentou.
Okey Onyejekwe diz que esta situação afecta a diplomacia africana.
“Um dos desafios a que os estados africanos têm que fazer face esta década é a questão de se tornarem relevantes na política global,” disse.
“Se queremos ter um papel activo e se queremos ser tomados a sério em política global temos que fazer ouvir as nossas vozes em questões como esta,” acrescentou.
VOA – 02.03.2011

Wednesday, March 2, 2011

Nacala: Zona económica atrai investidores

MAIS de 280 milhões de dólares norte-americanos foram já investidos na Zona Económica Especial de Nacala (ZEEN), norte de Moçambique, declarada há cerca de três anos.

Maputo, Quarta-Feira, 2 de Março de 2011:: Notícias
O delegado da ZEEN, Branquinho Nhombe, disse, recentemente a jornalistas, que deste montante 144 milhões de dólares foram investidos em 2010, sendo 84 milhões de dólares de investidores moçambicanos e 60 milhões de investidores estrangeiros.

A lista dos principais países investidores na Zona Económica Especial de Nacala inclui a Tanzania, África do Sul, Índia, Inglaterra, Itália e Portugal, cujo investimento foi direccionado, fundamentalmente, às áreas de indústria e agro-indústria.

Segundo aquele responsável, citado pela AIM, nos primeiros dois anos de implementação efectiva da Zona Económica Especial de Nacala, foram licenciadas e certificadas pelo Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA) 18 empresas, algumas das quais já em laboração.

Referiu que 11 das empresas licenciadas e certificadas são da área industrial, dois do sector turístico, três da área de serviços e os restantes dois do ramo da agro-indústria, que proporcionarão vários postos de trabalho a residentes locais.

Na área da indústria, destacam-se as futuras fábricas de processamento de cereais, de bolachas, de cimento e de chapas de zinco, para além da refinaria de petróleo, “as quais, de acordo com as nossas projecções, deverão proporcionar mais de seis mil postos de trabalho a residentes locais”.

O delegado da ZEEN afirmou ainda ter sido já demarcada a futura Zona Franca Industrial, estando neste momento o Governo de Moçambique a trabalhar no sentido de mobilizar financiamentos com vista à implantação e desenvolvimento de infra-estruturas nessa zona.

No âmbito do desenvolvimento da Zona Económica Especial de Nacala, está em curso um trabalho de coordenação de criação de infra-estruturas de base, como o redimensionamento e expansão do Porto de Nacala, a reconversão do Aeroporto Militar, a reconstrução da linha férrea que sustenta o Corredor de Desenvolvimento do Norte, incluindo os ramais que servem os países vizinhos, para além da República Democrática do Congo.

A cidade de Nacala está dotada de um porto com águas mais profundas a nível da Costa Oriental de África, com uma capacidade instalada de 2,4 milhões de toneladas de carga geral, por ano, sendo também o mais próximo dos mercados da Ásia e Europa.

Presentemente, estão em curso esforços no sentido de se encontrarem potenciais financiadores do projecto de reabilitação e ampliação do referido porto.

Branquinho Nhombe disse esperar que a criação da Zona Económica de Nacala atraia mais investimentos nacionais e estrangeiros, fortaleça as exportações, desenvolva uma rede de infra-estruturas e melhore as condições de vida da população e a qualidade dos serviços públicos.

“Na Zona Franca Industrial, só nas vias de acesso, energia e água, está previsto para os próximos tempos um investimento na ordem dos 40 milhões de dólares norte-americanos, e isso constitui um grande desafio para nós”, frisou.

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Roubo, exílio, paz e justiça adiada (*)

Carta aberta ao Presidente da República

Por Maria José Moreno Cuna (*2)

Cuamba, 27 de Fevereiro de 2011

Gostaria de confessar-lhe, Senhor Presidente da República que me perturbam profundamente os insistentes convites para nos filiarmos no Partido Frelimo, como condição para a devolução do nosso património.

Uma vez mais lhe escrevo, Senhor Presidente da República. Por um lado para reagir ao despacho exarado por Vossa Excelência que nos remete para a Justiça, “querendo”. Por outro, porque necessário se torna que não se passe por cima de alguns aspectos ligados à minha petição, aspectos esses que se não forem analisados à luz da história deste País, nunca serão cabalmente entendidos.

O historial breve de meus pais:

1. O cidadão português José Caetano Moreno, meu pai, chegou a Moçambique no longínquo ano de 1951, tendo-se fixado em Niassa.

2. Nessa altura, ele conhece a cidadã moçambicana Ana João Chukwa com que se casa, constrói todo o património e de quem tem dois filhos (eu e o João António). De uma ligação anterior com uma outra pessoa, nascera Maria Rosa, minha irmã mais velha.

3. Com efeito, depois de casados, meus pais construíram duas residências e um hotel na Cidade de Cuamba, uma propriedade agro-pecuária, uma pescaria e uma mina de pedras semi-preciosas. Eram igualmente proprietários de mais de duas mil cabeças de gado bovino.

Na sua acção quotidiana, meus pais nunca descuraram o apoio social às camadas mais carenciadas. Nos seus investimentos, não faltavam a escola e o posto de saúde, devidamente apetrechados, para seus trabalhadores, familiares e vizinhos.

4. Com a Independência de Moçambique – com a qual meu pai estava de acordo e tinha activamente apoiado – de forma natural, ele e família optou por continuar a viver neste País que aprendera a amar como seu. Durante cerca de três anos o meu pai foi responsável dos Assuntos Sociais de Cuamba, tarefa que executou com todo o zelo e dedicação.

5. O sistema social que se estava a implantar em Moçambique era, do ponto de vista do discurso, um sistema baseado numa sociedade de igualdade e fraternidade entre os homens, filosofia com a qual meu pai e toda a família estavam de acordo.

6. Alguns anos depois, com apreensão, a minha família começou a perceber que do discurso proferido às acções praticadas, a distância era cada vez maior. Num País que se afirmara, na proclamação da sua Independência, de maior justiça social e respeito pelos direitos dos cidadãos, as injustiças eram mais e mais gritantes. Surgiram os campos de reeducação de triste memória.

Com eles as prisões arbitrárias e as execuções sumárias de pessoas muitas vezes bastante próximas de minha família.

7. Sensivelmente na mesma altura, meu pai toma conhecimento, através de amigos seus bem posicionados no aparelho partidário, que estava eminente a sua detenção e encaminhamento (dele e esposa) para o campo de reeducação de Mitelela, onde já se encontravam figuras como Joana Simeão, Urias Simango e esposa e tantos outros.

8. A partir dessa altura e, perante a gravidade das atrocidades que eram diariamente cometidas no Niassa (onde era Governador o senhor Aurélio Benete Manave) sair de Moçambique com sua esposa, era uma questão de vida ou de morte. Os meus pais foram forçados a sair do País, sob risco de serem mortos.

9. Meus pais saíram numa madrugada de Setembro (dia 20) de 1978. Eles haviam sido informados, às 23 horas do dia 19 que constavam de uma lista de cinco pessoas que seriam presas e mortas, no dia seguinte.

Efectivamente, na manhã do dia 20, o Padre Estêvão, o Sr. Ramassane (funcionário da Administração) e o Sr. Floriano, foram presos – o Padre Estêvão à saída da igreja - e levados para os campos de reeducação onde, pouco depois, foram sumariamente executados.

10. Foi exactamente isto que aconteceu. Eles não saíram de livre e espontânea vontade. Foram coagidos a sair. O Governo não esperou sequer que decorressem os 90 dias preconizados na Lei das Nacionalizações.

Tratou logo de ocupar e usufruir de todas as suas propriedades, chegando ao extremo de abater todas as cabeças de gado deixadas pelos meus pais.

Diga-me, Senhor Presidente da República: havia condições para eles voltarem?

11. À semelhança do que aconteceu com muitas outras famílias, a minha família viu-se forçada a um exílio de 15 anos, exílio a que o Acordo Geral de Paz veio pôr fim. Eliminadas as causas que forçaram minha família a sair de Moçambique, retornámos.

12. Mas a Paz que veio para Moçambique não foi usufruída por todos da mesma forma. Meus pais continuaram a ser perseguidos: tentativas de envenenamento e duas minas antitanque foram colocadas para atingi-los, em duas ocasiões diferentes, no ano de 1994. Numa das ocasiões tiveram que ser resgatados e escoltados pelas forças da ONUMOZ. O objectivo tem sido, claramente, eliminar fisicamente a minha família.

13. De 1993 a esta parte, junto de quem de direito, temos reivindicado a devolução do nosso património. Paradoxalmente estes processos têm vindo a colapsar, sempre porque o expediente misteriosamente se perde...

14. Ao negar devolver o património de minha família, há moçambicanos que são altamente lesados com esta decisão.

Eu, meus irmãos e minha mãe (se estivesse viva) somos moçambicanos.

Não se trata de uma questão com um estrangeiro, português, meu pai, como Vossa Excelência quis dar a entender.

Senhor Presidente da República, as nossas diferenças políticas não devem servir de desculpa para o Governo ocupar o património de minha família.

A experiência mostra que a exclusão político-socio-económica é nefasta às sociedades. Os ventos que sopram pelo mundo, são ventos de mudança, em busca de uma melhor justiça social.

Para finalizar, gostaria de confessar-lhe, Senhor Presidente da República que me perturbam profundamente os insistentes convites para nos filiarmos no Partido Frelimo, como condição para a devolução do nosso património. Continuo a acreditar que a adesão a um partido político deve ser voluntária.

Tomara que esta minha petição seja acolhida por Vossa Excelência.

C/C

- Liga Moçambicana dos Direitos Humanos

- Embaixada de Portugal em Maputo

- Gabinete do Primeiro Ministro de Portugal

- Dr. Almeida Santos

(*) Título da responsabilidade do Canal de Moçambique

(*2) Ex-deputada da Assembleia da República e ex-chefe da Bancada da Renamo

CANAL DE MOÇAMBIQUE – 02.03.2011