BLOG DEDICADO À PROVINCIA DE NAMPULA- CONTRIBUINDO PARA UMA DEMOCRACIA VERDADEIRA EM MOCAMBIQUE

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ALL MENKIND WERE CREATED BY GOD AND ARE IQUAL BEFORE GOD, AND THERE IS WISDOM FROM GOD FOR ALL

Tuesday, April 27, 2010

Desportistas em Nampula Preparam Marcha de Protesto

Ainda na sua fase embrionária, está em preparação uma marcha pacífica de agentes desportivos na cidade de Nampula que pretendem mostrar a sua indignação e protesto contra a medida tomada pelo conselho municipal local que cedeu para uma empresa privada o estádio municipal 25 de Setembro para transformá-lo num complexo comercial.
O movimento de descontentamento face a esta decisião de demolição do estádio 25 de Setembro em Nampula cresce a cada dia e ganha apoiantes que defendem que o recinto deve ser preservado em benefício da actividade desportiva, para além do simbolísmo histórico que o mesmo representa não apenas para os seus citadinos como para aqueles que de uma ou outra forma passaram por aquele local.
Segundo maior estádio da actualidade a seguir ao estádio da Machava, o 25 de Setembro é tido por alguns como um santuário onde os nampulenses testemunharam em 35 anos de moçambicanidade os momentos mágicos e trágicos, não apenas na área do desporto nacional, como também na componente cultural, política, religiosa entre outras.
Por estes anos todos de história, os desportistas da cidade de Nampula mostram-se agastados com a associação provincial de futebol, uma das afectadas por esta medida a tomar a dianteira e a prometer recorrer desta decisão junto do Conselho municipal uma vez que a demolição deste estádio dentro de um mês deixará sem alternativas muitos clubes que o têm como casa.
Ao movimento de protesto juntam-se igualmente de forma activa as associações provinciais de atletismo, boxe e basquetebol cujas sedes funcionam neste local, para além da Escola Secundária de Nampula que realiza as sua actividades desportivas igualmente no estádio 25 de Setembro.


Fonte: Rádio Moçambique

Turistas da Copa devem injetar US$ 1,7 bilhões na economia da África do Sul

Segundo estudo, são esperados 373 mil estrangeiros no país.

Os estrangeiros vão injetar 13 bilhões de rands (US$ 1,77 bilhão) na economia da África do Sul durante a Copa do Mundo, contribuindo para que o futebol impulsione o crescimento econômico em 0,5 ponto porcentual, segundo um estudo da empresa de contabilidade Grant Thornton.
O impacto bruto estimado para a economia sul-africana, incluindo gastos indiretos e construção de infraestrutura nos últimos quatro anos, será de 93 bilhões de rands (US$ 12,64 bilhões). Mas a maior parte disso se refere a gastos internos do governo.
O encarregado do estudo, Gillian Saunders, disse nesta quarta-feira (21) a jornalistas e economistas que são esperados menos fãs estrangeiros do que o previsto inicialmente, mas aqueles que forem ao país vão gastar mais do que em outras Copas, como a organizada pela Alemanha,em 2006.
Faltando 50 dias para o início da competição, a febre do futebol está crescendo na África do Sul, mas a crise econômica mundial, o alto custo do torneio e temores sobre crimes violentos reduziram o número de fãs do exterior. "Nós revisamos nossos dados depois da ampla recessão mundial e das grandes etapas de venda de ingressos.

Algumas cifras são estimulantes", afirmou Saunders, ao apresentar o estudo.
A Grant Thornton realizou pesquisas aprofundadas sobre o impacto da Copa na economia do país e os resultados são considerados confiáveis por outros analistas. A Copa do Mundo, a primeira a ser realizada na África, terá um mês de duração, com início marcado para 11 de junho.
Governos nacionais e regionais gastaram cerca de 40 bilhões de rands em estádios, transporte e aeroportos. Os fãs estrangeiros devem despender cerca de 8,8 bilhões de rands no país. Juntando esse valor com o da Fifa, outros órgãos oficiais e as equipes, a economia receberá injeção de 13 bilhões de rands.
Segundo o estudo, são esperados 373 mil estrangeiros,dos quais 230 mil com ingressos. A Copa começa em 11 de junho. As informações são do G1.
AFRICA21 – 27.04.2010

Mecânico de Muecate gera festa espontânea

Desfile de motorizada e bicicleta vindicam Aiuba

- Estávamos a espera desse sinal porque Moçambique de hoje é livre e ninguém deve e pode prender o outro por poder financeiro, nem governamental – Marcos Moisés, cidadão de Muecate

· O administrador negou receber o valor, porque está a se sentir à nora, muito antes já havia lhe dito para ele não avançar com o julgamento mas pela arrogância avançou e tudo esta atrás dele sem saber como sacudir– delegada do IPAJ em Muecate, Mariamo Braimo

- Aiuba recebeu 10.000,00 Mt. em ofertas, o montante porque queria vender a sua palhota

Por Nelson de Carvalho em Muecate

Motas e bicicletas assinalaram a chegada a Muecate do dinheiro para salvar o mecânico Aiuba Assane de nova prisão, depois de ser condenado sumariamente por ter dado a sua opinião sobre o desempenho do administrador local, Adelino Fábrica.

Logo que a última edição do SAVANA chegou às ruas, vários cidadãos indignados com os arbítrios cometidos num simulacro de julgamento em Muecate e os 22 dias de prisão impostos ao mecânico Aiuba, declararam a sua disponibilidade para pagarem as custas judiciais e a inde­mnização arbitrada a favor do “ofendido”, o administrador Fábrica.

Um conhecido jurista e elementos ligados a uma das universidades privadas sedea­das em Maputo prontificaram-se a fazer os pagamentos a favor de Aiuba. Num processo intermediado pelo jornal, o jurista transferiu esta segunda-feira 6.000,00 meticais para uma conta no Namialo, pois não há banco em Muecate e a universidade juntava mais 4.000,00, quarta-feira.

Terça-feira, Aiuba Assane e os seus familiares foram ao banco no Namialo para le­vantarem a primeira tranche das contribuições. De regresso a Muecate, os populares concentrados junto à oficina pediram para ver “a cor do dinheiro”. A salvação do desafortunado mecânico ge­rou uma manifestação espon­tânea, daquelas que não é preciso a burocracia de pedir autorização policial.

Na presença do colabora­dor do SAVANA em Nampula, cerca de cinquenta ciclistas e quinze motociclistas fizeram-se às ruas poeirentas da vila para dar um sinal de agrade­cimento ao gesto feito para o jovem Aiuba Assane. Houve gritos “Aiuba salvou das garras do Fábrica, Aiuba salvou das garras do Fábrica” e uma parte dos funcionários da admi­nistração local estiveram presentes como sinal de repúdio do comportamento déspota Adelino Fábrica.

Quando questionámos os presentes da causa da marcha soubemos daqueles num coro que “o distrito está salvo”. “Todos estávamos aflitos pela detenção do jovem mecânico de motorizadas que muito tem feito para erradicar a pobreza no seio dos seus familiares”, disseram-nos. Aliás falaram-nos que quando ele estava na cadeia o distrito sentiram a sua falta porque a maioria dos professores tinha armazenado as suas motorizadas devido a avarias.

Momade Araújo, de 45 anos de idade, natural de Muecate, disse não saber como agra­decer ao jornal e às pessoas que tiraram o valor para salvar o jovem mecânico que estava nas mãos do tribunal e do administrador de Muecate - “eles mereciam a salvação de um anjo que fosse convidado pelo jornal” – disse para depois afirmar que a partir de agora o distrito está a salvo das arrogâncias do admi­nistrador de Muecate, “ porque nós não estamos com objectivo de ele deixar de governar o distrito mas sim deixar de lado a arrogância que tem, ou deixar de desprezar a população em que ele confia para governar” – adiantou

“O que nós não queríamos era voltar a ter o nosso mecânico nas celas da cadeia civil, porque ele tem família por cuidar, para além do combate à pobreza que ele tem feito todos os dias da sua vida” – avançou António Sacramento.

Sacramento, de 29 anos de idade, pai de seis filhos e natural de Muecate, disse que olhou a atitude como não sendo má nem boa - “no meu ponto de vista estou a aplaudir a salvação do Aiuba porque ele não merecia estar preso e nem em julgamento”.

“Vejo que era um assunto a ser tratado entre a pessoa do senhor administrador e o mecânico, sem no entanto alguém estar detido” – senten­ciou.

Sacramento foi mais longe ao afirmar que o administrador queria chamar atenção à população que está acos­tumada a “falar mal” das pessoas, principalmente, as figuras do administrador e secretários permanentes que são escalados para o distrito, mas ele agiu “como uma pessoa singular e não como pai do distrito”.

Disse ainda que as pessoas do distrito de Muecate vão continuar a festejar a salvação do jovem mecânico que por pouco não voltou de novo às celas da cadeia civil do distrito por não ter dinheiro para pagar a pena imposta pelo tribunal.

Marta Joaquina, disse que a iniciativa do jovem mecânico, em colocar a sua desgraça nos órgãos de informação “foi muito boa, porque antes José Amade, o administrador ces­sante fazia as mesmas coisas, agora que as coisas saíram acho que estamos salvos”.

Administrador recusa indemnização

O valor para o pagamento das custas e caução foi já depositado quarta-feira, pelas 9:26 horas na conta 17510­9833 do bim, e pertencente ao tribunal judicial do distrito de Muecate.

Aiuba pagou 3.400,00 meti­cais o tribunal, mas foi infor­mado que o administrador declarou ao tribunal não querer receber a quantia de 1500,00 meticais que lhe foi atribuída pelo “julgamento”. A defensora oficiosa vai receber do mecâ­nico 100,00 meticais.

A importância remanes­cente por sugestão do jornal e acordo dos contribuintes vai servir para melhorar o tecto da oficina e a palhota de Aiuba que esteve à venda até à semana passada por 10.000,00 meticais.

“O dinheiro que sobrou vou comprar chapas de zinco, barrotes e blocos para me­lhorar a minha oficina”, disse muito emocionado ao SAVANA.

- Terça-feira, a modesta oficina de Aiuba, depois da festa deixou de atender bicicle­tas. Ali mesmo foi montado um posto de venda de jornais que vieram de Nampula trazendo como tema de capa a triste sina do mecânico de Muecate.

- Disse ao administrador para não avançar com o julgamento, ele não ouviu

- - delegada do IPAJ

Num breve contacto que o jornal manteve com a dele­gada do IPAJ(Instituto de Patrocínio e Apoio Jurí­dico) em Muecate, Mariamo Brai­mo, disse que as coisas começaram a amargar para o administrador Adelino Fábrica, que já começou a apontar certas pessoas como culpados na divul­gação da informação aos jornais.

“Antes do caso começar a ser divulgado e muito antes do jovem Aiuba Assane ter entrado nas celas do coman­do distrital, eu fui ao gabinete dele para ele parar com o caso, porque a qualquer momento a coisa poderia amargar para ele, mas como sou muito pequena ele não quis ouvir. Hoje já começou a apontar pessoas, por isso não sou culpada se a situa­ção virou o cano para ele porque eu avisei”- disse Mariamo Braimo, o mesmo que dizer que quem mexe trampa aguenta com cheiro.

Braimo foi mais longe ao afirmar que toda a população está revoltada com Fábrica porque não esperavam aque­le comportamento do admi­nistrador.

A nossa fonte disse em termo de fecho e desabafo: “meu irmão eu estou mal, não sei o que fazer, acredito que ao longo do tempo ficarei sozinha e nenhum do grupo daqueles da administração estará a falar comigo, porque não defendi, o administrador Fábrica”.



Também tenho direito a livre expressão e ao bom nome

- administrador Fábrica

O administrador do distrito de Muecate em contacto com o repórter, primeiro disse que apesar de ser um administrador ele também tem direito ao bom nome, à livre expressão, por ser um cidadão moçambicano.

“Olha eu sou um cidadão apesar disso que dizem sobre a minha pessoa, fiz isso para que as pessoas deixem de injuriar a pessoa pública como aconteceu com outros administradores que aqui passaram”, defendeu-se Fábrica.

Num outro passo fez-nos saber que tudo pode vir a cair de novo no tribunal porque um grupo de pessoas está a tentar denegrir a sua imagem, “ mas não poderão aguentar porque o senhor Jesus Cristo protege as suas ovelhas”.

- Soubemos do adminis­trador de Muecate que está a fazer um exposição para o gabinete do governador da Província de Nampula, para protestar ao que chama de calúnia popular que igual­mente está a ser levada avante com alguns media.

Os remorsos do pequeno ditador

Depois do grande alarido que suscitou o caso do mecânico de Muecate, o tristemente notório administrador Fábrica dirigiu o seguinte requerimento ao tribunal local, prescindindo da sua indemnização.

Requerimento do administrador



Meritíssimo Juiz Presidente do Tribunal Judicial Distrital de Muecate



M u e c a t e



Autos de Polícia Correccional nº 18/TJDM/2010



Adelino Fábrica Roihiua, melhor identificado nos autos à margem, tendo constatado que na respectiva sentença não está expressa a sua comunicação feita ao Ministério Público, segundo a qual a intenção do ofendido não era que lhe fosse pago, mas que “o arguido trouxesse ao seu conhecimento os demais difamadores ou a fonte segundo a qual o ofendido está transferido do distrito e não entrega as pastas por lhe faltar a vergonha”, vem reiterar que tal indemnização não lhe seja paga por constituir mais um vexame à sua honra, pelo que



Pede deferimento.

Muecate, aos 11 de Março de 2010

SAVANA – 23.04.2010

Agentes da PRM abandonados em casa de Dhlakama

Por Nelson de Carvalho, em Nampula

Agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) responsáveis pela guarnição e controlo dos movimentos do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, na cidade de Nampula, andam agastados com as suas chefias devido ao estado de abandono em que estão votados.

Falando sob anonimato à reportagem do SAVANA, aque­les elementos disseram que a única coisa que as suas chefias fizeram foi abrir um posto de controlo junto à residência do Afonso Dhlakama naquela urbe. No referido centro não há condições mínimas para um ser humano efectuar a sua jornada laboral.

Contam os nossos informa­dores que o posto de controlo foi montado há mais de um ano mas, até momento, não foram criadas condições mínimas para os agentes fazer o seu trabalho.

Não há abrigo para se defender do sol ou chuva, casas de banho, água potável e a alimentação é precária. Neste período em que estão naquele local, o menú não passa de caril de peixe seco ou carapau com farinha de milho.

Ademais, os próprios agen­tes é que confeccionam os alimentos apesar de não pos­suírem condições para tal.

A preparação de alimentos concretiza-se devido à genero­sidade dos gestores do centro de pesquisa Konrad Adenauer, que, no acto de caridade, emprestam as suas infra-estruturas.

A informação que têm das suas chefias é de que estão ali para guarnecer o líder da Renamo na qualidade de alta individualidade já que é membro do Conselho de Estado. Contu­do, o que eles sabem é que na PRM existe uma força especial que se dedica à protecção de altas personalidades e as condições de trabalho dessa força são boas.

No posto de controlo monta­do nas redondezas do imóvel de Dhlakama, a força destacada é mista, ou seja, incorpora elementos da Policia de Protec­ção (PP), Intervenção Rápida (FIR), Serviços de Informação e Segurança de Estado (SISE) e de Trânsito (PT). Nenhum elemento da FPAI (Força de Protecção de Altas Individua­lidades) está lá presente.

O S SAVANA soube de um dos elementos ali afectos que do Comando Provincial recebem farinha de milho, papahi (peixe seco) e carapau. Nenhum meio é canalizado para a confecção de alimentos cabendo a respon­sabilidade aos agentes.

Outro agente disse-nos que além da qualidade da comida que é precária, naquele posto falta água para beber ou higiene pessoal, e muito menos um lugar seguro para se esconderem da chuva ou sol.

“Agradecia que fosse trans­ferido para um distrito do que viver naquelas condições”, desabafou.

Um outro agente classificou a atitude como verdadeira violação dos direitos humanos.

A polícia está preparada para trabalhar em condições pre­cárias

Em contacto com a reporta­gem do SAVANA, Orlando Mudumane, porta-voz da PRM em Nampula, disse que ninguém esperava que Afonso Dhlakama fixasse a sua residência naquela urbe.

“Tudo o que se fez foi improviso e os agentes estão ciente disso”, precisou.

Segundo o porta-voz, aquele não é o único posto montado naquelas condições.

“Tendo como missão garantir a ordem e tranquilidade pública, em todo local onde haver perigo, coloca-se sempre um posto fixo e não se monta abrigos”, acres­centou.

Avançou que os elementos afectos àquele posto nem precisam de tendas porque estão de prontidão e aptos a agir em caso de qualquer desmando dos homens da Renamo.

Cerco a Dhlakama mantêm-se

A PRM vai continuar a con­trolar o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, enquanto este con­tinuar naquela parcela do país.

Segundo Mudumane, a sua corporação está para garantir ordem e tranquilidade públicas incluindo a protecção de ci­dadãos sendo que Afonso Dhlakama não é excepção.

Avança referindo que a outra razão que faz com que a polícia esteja em quarentena naquele local é o facto dos seguranças do líder da Renamo estarem na posse de armas de fogo te­mendo-se que aterrorizarem a população circunvizinha.

O porta-voz da policia da PRM na província de Nampula avançou que a sua corporação está preparada para guarnecer e seguir o líder da Renamo, enquanto residir na cidade de Nampula. Aliás, fez crer que os passos dados por Dhlakama, quer da cidade para os distritos da província de Nampula, assim para outros pontos do mundo partindo daquela urbe, são controlados pela Policia.

Aquele membro sénior da policia na província de Nampula, afiançou-nos que todas as saídas do líder da Renamo são conhecidas a partir de algumas pessoas de confiança dentro da perdiz, que facultam a infor­mação a policia em Nampula.

Questionamos ao porta-voz da PRM em Nampula, se o posicionamento de três postos de controlo ao redor da casa de Dhlakama não pode ser inter­pretado como privação da liberdade, Madumane mini­mizou, precisando que apenas trata-se de uma medida de segurança.

SAVANA – 23.04.2010

Friday, April 23, 2010

Chipande não descarta vontade de suceder a Armando Guebuza

Na presidência da Frelimo e da República

“Uma vez que Armando Guebuza já afirmou que não está interessado num terceiro mandato, terá o senhor pretensão de lhe suceder?”. Chipande afirmou: “Ainda não chegou o momento. Eu trabalhei para a Frelimo desde a sua fundação, com Eduardo Mondlane, Samora Machel, Joaquim Chissano, e agora com Guebuza. Em todos esses anos trabalhei, mesmo para o Acordo Geral de Paz”. Feita a mesma pergunta, sobre ele próprio, a Henriques Bongesse, Primeiro Secretário Provincial da Frelimo em Sofala, ele apenas comentou: “Essa pergunta é pesada. Estou de férias”.

O debate em torno da sucessão de Armando Guebuza no cargo do presidente da República de Moçambique já está em marcha. Na semana finda, a Reportagem do Canal de Moçambique – Semanário e do Canalmoz – Diário Digital contactou duas figuras proeminentes no seio do partido Frelimo: Alberto Chipande e Henriques Bongesse. Quanto à primeira figura, só o conseguimos ouvir depois do fecho da edição da semana passada do Canal de Moçambique. Num contacto telefónico com a nossa Reportagem, Chipande não descartou a possibilidade de ele vir a suceder a Guebuza, tendo condicionado o facto à decisão do partido Frelimo.
A pergunta que colocámos a Alberto Chipande foi a seguinte: “Uma vez que Armando Guebuza já afirmou que não está interessado num terceiro mandato, terá o senhor pretensão de lhe suceder?”.


Chipande afirmou: “Ainda não chegou o momento. Eu trabalhei para a Frelimo desde a sua fundação, com Eduardo Mondlane, Samora Machel, Joaquim Chissano, e agora com Guebuza. Em todos esses anos trabalhei, mesmo para o Acordo Geral de Paz.”
Voltámos à carga, afirmando que gostaríamos que nos respondesse “sim” ou “não” à pergunta que lhe colocámos. Então Chipande não descartou o seu interesse: “Eu não sei. A Frelimo é quem sabe”.
Perante as habilidades de Chipande, colocámos-lhe a mesma questão noutros moldes: “O senhor não estará interessado em ser o sucessor de Guebuza?”.
Chipande respondeu-nos com outra pergunta: “Como é que se faz isso?”.
“O senhor é político, tem uma trajectória longa, e por isso bem pode dizer-nos como é que isso se faz.” – insistimos.
“Este não é o nosso método de trabalhar. Não é a primeira pessoa que me lança essa pergunta, mas vou-lhe dizer que estas pressões vêm de fora do partido. A Frelimo tem a sua forma de fazer as coisas.” – respondeu.
Seja como for, ficou explícito que Alberto Chipande não afasta a hipótese de ele vir a herdar o lugar de Guebuza, até porque os diferentes grupos da sociedade moçambicana têm discutido sobre a eventualidade de a sucessão de Guebuza abrir lugar à “verdadeira unidade moçambicana”, no lugar de, já lá vão 50 anos, a liderança da organização vir sendo preenchida por originários do Sul do país.
Embora tanto se fale de uma liderança da “nova geração” – o que deu origem à invenção ideológico-partidária da “Geração da Viragem” –, tudo indica que Alberto Chipande pode vir a suceder a Armando Guebuza, por uma razão de causa e efeito, nomeadamente o facto de a História de Moçambique – fabricada pelo partido Frelimo –lhe atribuir a autoria do “Primeiro Tiro”, no início da luta armada de libertação nacional. De acordo com vozes que falam em surdina do interior do partido Frelimo, Chipande é apontado como o homem imediatamente a seguir a Armando Guebuza na lista pré-acordada no que diz respeito à sucessão hereditária ou colateral. Informações que o Canalmoz e o Canal de Moçambique classificam como irrebatíveis dizem que a lista remonta a um pacto entre os camaradas da “nomenklatura” frelimista: Samora Machel, Marcelino dos Santos, Joaquim Chissano, Armando Guebuza, Alberto Chipande.
Um dado certo é que este tipo de assunto nunca foi pacífico, como aparenta ser. Importa referir que nos últimos anos do seu Governo, Samora Machel vinha deparando com dissidências, tanto ao nível do seu partido, como das Forças Armadas. A título de exemplo, considere-se a carta-aberta posta a circular em Maputo a seguir ao desastre de Mbuzini, e quando ainda não se tinham realizado as exéquias do malogrado presidente. Da autoria dos “Veteranos da Luta Armada”, termo normalmente associado a membros do partido no poder, tanto políticos como militares, mas ambos provenientes do período da guerra pela conquista da Independência, o documento pôs a descoberto os contornos do descontentamento que grassava no seio do regime da Frelimo, para além de estabelecer os parâmetros em que se processaria a sucessão após a era de Machel. Marcelino dos Santos, o “Número Dois” na hierarquia da Frelimo, na lógica do centralismo democrático em que se empenhara desde os primórdios da fundação desse movimento, sentia-se no direito de se guindar à posição cimeira do partido e, por inerência, à chefia da Nação. O “Número Três” na mesma hierarquia, Joaquim Chissano, faria gorar os planos do seu rival e dos que a ele se haviam, entretanto, aliado, jogando para o efeito a cartada étnica, sintomaticamente realçada na carta-aberta que circulou no país logo após a morte de Machel. O pendor anti-racista, que vinha sendo ardentemente agitado pela direcção da Frelimo desde as grandes crises internas de 1967-69, passaria à história, tal como o seu finado defensor, arrastando consigo os que dele mais haviam beneficiado, tal como escreve João Cabrita no seu livro “A Morte de Samora”. Seja como for, Chipande é tido como o quinto nessa linha. O General do Exército Alberto Chipande, agora com 72 anos de idade, quando disparou o hipotético “Primeiro Tiro” tinha então 26 anos. Em 2014, Chipande fará 76 anos, e outras duas figuras que rivalizaram com Armando Guebuza, em 2009, são mais novas do que ele: Afonso Dhlakama (61 anos) e Daviz Simango (50 anos, filho do então vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique, Uria Simango).
O antigo presidente da Frelimo, Joaquim Chissano (1986-2004) tentou sem sucesso quebrar a linha de sucessão hereditária-hierárquica dentro da Frelimo, quando deu azo a que jovens da “nova geração” concorressem ao lugar:
Hélder Muteia, Felício Zacarias, entre outros, mas a ala radical rechaçou-os. De Hélder Muteia, originário da província da Zambézia, conhece-se a sorte que teve posteriormente. Felício Zacarias, natural de Manica, idem. Começou por não ser votado para membro do Comité Central no IX Congresso, descambando no seu afastamento do actual Governo, depois de ter sido ministro das Obras Públicas no primeiro mandato de Guebuza.
Luísa Diogo (Tete) e Eduardo Mulémbwè (Niassa) caíram também em desgraça, sob o desígnio dos homens da “linha correcta”. A questão de sucessão na Frelimo promete pano para mangas, quando há também que se ter em conta os indícios de que os fiéis a Joaquim Chissano não se safam à purga.
Apesar de Alberto Chipande não ter declinado a sua intenção de um dia ser presidente da Frelimo, em contacto connosco ele foi dizendo:
“Não sou eu quem vou dizer sobre a sucessão. Estamos em democracia. Você sabe como é que se faz?” – retomou a pergunta, tudo indicando que remeteu a solução para o X Congresso do “Batuque e a Maçaroca”. Porém, a entrada de um candidato jovem está dependente da renovação ao nível do Comité Central, dominada em mais de 50% pela “velha guarda” e “históricos”.
Primeiro Secretário Provincial da Frelimo em Sofala foge com o rabo à seringa
Nos mesmos moldes, perguntámos ao Primeiro Secretário provincial do partido Frelimo, Henriques Bongesse, se estaria interessado em suceder a Armando Guebuza no cargo de presidente da Frelimo e da República, ao que ele nos respondeu: “Esta pergunta é pesada. Estou de férias. Falamos depois.”
Refira-se que Chissano contribui para pôr termo à preponderância exercida pela geração que combateu o colonialismo, enquanto Guebuza voltou a dar primazia a esta geração na tomada de decisões. De facto, Guebuza tem contado com o apoio activo de Alberto Chipande, Marcelino dos Santos e Graça Machel na sua governação, o que significa que a “geração de Nachingweia” poderá não introduzir mudanças substanciais na transição do testemunho, mantendo a cançoneta “renovação na continuidade”. São muitos os que vieram de Nachingweia e que continuam aliados ao exercício do poder político em Maputo. Samora Machel e Sebastião Mabote morreram. Mas a maioria, que simulou afastar-se da política, tem assumido protagonismo nos grandes eventos do partido e dentro do Comité Central: Marcelino dos Santos, Mariano Matsinhe, Óscar Monteiro, Jorge Rebelo, Jacinto Veloso e Sérgio Vieira.
Lembre-se que Alberto Chipande (que é maconde) foi Ministro da Defesa Nacional de 1975 até à década de 90. Foi também ele que pôs termo às infindáveis discussões no Bureau Político da Frelimo, quando ainda não se sabia quem iria suceder a Samora Machel, acabado de desaparecer no acidente de aviação em Mbuzini, próximo da Namaacha, em território sul-africano. Conta-se que, já farto de conversas, o “Velho Maconde” deu o veredicto: “O presidente da Frelimo é o camarada Joaquim Alberto Chisssano”, e foi-se embora.
Será que Chipande ainda manda alguma coisa na Frelimo, e que a hipótese do avanço de Armando Guebuza para um terceiro mandato foi quebrada pelo facto de ter chegado a hora de alguém que é do Norte? O futuro o dirá.

(Adelino Timóteo)

CANALMOZ - 23.04.2010