KGB promoveu morte de Machel com conivência de quadros da Frelimo - Revelação de dois antigos agentes da polícia política soviética
Por Orlando Cabral
A União Soviética, em aliança com destacadas figuras do regime frelimista de então, teria planeado o atentado de que resultou a morte do presidente Samora Machel, em 19 de Outubro de 1984.
Esta revelação, que vem adensar ainda mais o mistério que paira sobre a queda do "Tupolev" presidencial em Mbuzini, feita recentemente por dois antigos agentes da KGB soviética, que resguardaram a sua identidade. Um deles, ucraniano, formado em Kiev, diz que era o número 333 e que operava na África Austral, o outro, de nacionalidade russa, também operou na zona austral africana, sendo hoje empresário da área turística em Portugal. Segundo afirmaram, em 1984, «a morte de Samora Machel interessava a muita gente, incluindo aos seus inimigos internos».
Controlo cerrado
Nos anos oitenta do século passado, com a guerra fria no auge, a URSS, através dos seus agentes secretos, «mantinha sob controlo cerrado os países da linha da frente, a maioria com sistemas de partido único e economia centralizada, e com Moçambique e Angola candidatos assumidos à Internacional Comunista». Ao mesmo tempo, mantinha-se o conflito sino-soviético, e cada um deles tentar puxar Machel para uma aliança exclusiva.
Os ex-agentes apontam a KGB como promotora do assassinato do primeiro presidente moçambicano, alegadamente porque Moscovo se sentiu traído quando Machel se encontrou com Ronald Reagan e lhe prometeu reformas económicas em Moçambique, com sujeição às receitas capitalistas do FMI, que levariam ao PRE (Plano de Reabilitação Económica), e à economia de mercado.
Plano
Os soviéticos teriam chegado então á conclusão de que era necessário engendrar um plano para liquidar o presidente moçambicano, e substitui-lo por um homem da sua confiança. O plano, segundo as mesmas fontes, contou com conivências internas, e a prova disso seria que alguns dirigentes do então Governo de Maputo não acompanharam o seu presidente na sua viagem fatídica, e ministros como dos Negócios Estrangeiros, Joaquim Chissano, da Segurança, Sérgio Vieira, e da Defesa Nacional, Alberto Chipande, não se fizeram representar, ao lado de Machel, em reuniões de grande importância para o futuro de Moçambique, como em Mbali, Zâmbia. Os ex-agentes secretos afirmam ainda que Moscovo, nesse seu alegado plano, contou também com o apoio do regime do "apartheid", também interessado, por outras razões, no desaparecimento de Samora Machel.
Segredos de Estado
Para o abate do aparelho presidencial, teria sido utilizado um míssil sul-africano "termo-sensível", que teria penetrado numa das turbinas do jacto e penetrado nos sistemas electrónicos do avião, provocando a desorientação do aparelho e sua queda. «As caixas negras foram imediatamente trocadas, e por isso a sua descodificação não revelou nada», frisam. Se até hoje pouco ou nada se diz sobre as verdadeiras razões da queda, seria porque elas «mexem com segredos de Estado». Por exemplo, «as primeiras investigações tão somente disseram que os pilotos estavam bêbedos, quando na verdade dois deles estavam ligados ao KGB e não sabiam do plano central , que incluía a sua utilização como "carne para canhão".
É também do conhecimento público que a torre de controle no aeroporto de Mavalane tinha instruções para desviar a rota do avião, que estava a cinco minutos de Maputo, e na única passagem da caixa negra que pode não ter sido adulterada, os pilotos questionam o seu posicionamento geográfico, porquanto o comandante possuía mais de 20 mil horas de voo e já tinha experimentado adversidades como aterrar com chuva, neve, e à noite, e alarmou-o a desorientação repentina da aeronave.
Traidores e conspiradores
Nos últimos meses, o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, actualmente casado com a viúva do falecido presidente, que aquando do funeral aludiu à existência de traidores e conspiradores no interior da Frelimo, preocupado em desvendar o mistério de Mbuzini, tem impulsionado o reinício das investigações sobre a morte de Machel.
A unidade policial sul-africana, "Scorpions", ao reabrir o processo baseia-se somente nos depoimentos recolhidos pela Comissão da Verdade e Reconciliação, onde pouco ou nada se falou do envolvimento secreto da KGB.
Supõe-se que alguns deles, no entanto, tenham focado nomes dos considerados inimigos internos e externos de Machel, em "dossiers" que estão a ser analisados numa operação dirigida por Torje Pretourius, vice-director do Ministério Público da RAS.
Renovadores querem saber
Roberto Chitsondzo, deputado da Frelimo ligado ao grupo dos renovadores daquele partido, exige saber a verdade sobre as circunstâncias de Samora Machel.
Falando ao IMPARCIAL, Chitsondzo disse não ter dúvidas de que o primeiro PR moçambicano foi assassinado, sem contudo ter conseguido saber até hoje a identidade dos autores do crime. Refira-se que, enquanto a viúva de Machel, durante o seu funeral, aludiu, sem os nomear, a traidores e conspiradores internos que teriam colaborado na morte do marido, a ala dura da Frelimo, liderada pelo actual SG, Armando Guebuza, aponta o dedo ao "apartheid".
«Ficamos à espera de novos desenvolvimentos das investigações, mas pouco ou nada se saberá nesta geração», salientou Chitsondzo. No entanto exige-se a verdade «porque vivemos hoje uma calamidade de vida, sem direcção, e com Samora não era assim».
In jornal/fax IMPARCIAL Maputo, 23 de Outubro de 2004
Saturday, October 23, 2010
Friday, October 8, 2010
Moçambique é "exemplo" entre países com longos períodos de penúria alimentar
Moçambique é um "exemplo" a seguir no que diz respeito ao crescimento económico e à redução da pobreza entre os países que atravessaram longos períodos de penúria alimentar, destaca um relatório da ONU esta quarta-feira divulgado em Roma. O novo relatório da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO), que analisa a situação da insegurança alimentar no mundo, destaca que desde a assinatura dos acordos de paz, em 1992, Moçambique "gozou de um período de notável estabilidade e converteu-se num caso de êxito em termos de crescimento económico e redução da pobreza".
Referindo o exemplo de Moçambique, o documento aponta que os países "podem sair de situações de crise prolongada", desde que tenham "uma governação melhorada", compreendam "as causas estruturais da crise" e as abordem com "medidas normativas sólidas". "A participação das comunidades locais e a melhoria da coordenação entre doadores são também fundamentais", acrescenta a FAO.
O documento lembra que o país lusófono alcançou um "crescimento médio de oito porcento por ano entre 1996 e 2008", e que a produção agrícola moçambicana registou, a partir de 1992, "um aumento anual de 5,6 porcento, sobretudo graças à expansão da área de cultivo e ao aumento da mão-de-obra e produtividade agrícolas".
"A pobreza diminuiu 15 porcento entre 1997 e 2003, e registou-se uma melhoria notável dos indicadores de desenvolvimento humano nas áreas da educação, mortalidade infantil e no acesso à água potável", refere a FAO, que destaca ainda que a incidência da fome no país "continua a diminuir de maneira constante".
Apesar destes avanços, o organismo da ONU lembra que o país "continua a ocupar a 172ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano" e ainda "tem muito trabalho a fazer para alcançar o primeiro dos Objectivos do Milénio", a erradicação da pobreza extrema e da fome.
A FAO salienta que o "caso bem sucedido de recuperação" de Moçambique deveu-se a diversos factores como a "estabilidade macroeconómica, a reforma normativa, o investimento governamental em favor da população pobre e uma ajuda massiva de apoio ao desenvolvimento socioeconómico".
Outro "aspecto fundamental" para a recuperação pós-conflito, segundo o documento, foi o "esforço realizado para resolver as questões relativas ao acesso à terra", bem como a "solidez da coordenação e harmonização dos doadores no apoio aos programas governamentais". A política agrária moçambicana, que entrou em vigor em 1997 e "conseguiu manter a ordem e a segurança alimentar e fomentar novos investimentos", é também apontada pela FAO como uma "peça chave" para os progressos alcançados.
"Este marco ajudou, em grande medida, a promover uma via mais equitativa e sustentável face ao crescimento económico e desenvolvimento social num país com uma população predominantemente rural", refere o relatório.
@VERDADE – 06.10.2010
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O documento lembra que o país lusófono alcançou um "crescimento médio de oito porcento por ano entre 1996 e 2008", e que a produção agrícola moçambicana registou, a partir de 1992, "um aumento anual de 5,6 porcento, sobretudo graças à expansão da área de cultivo e ao aumento da mão-de-obra e produtividade agrícolas".
"A pobreza diminuiu 15 porcento entre 1997 e 2003, e registou-se uma melhoria notável dos indicadores de desenvolvimento humano nas áreas da educação, mortalidade infantil e no acesso à água potável", refere a FAO, que destaca ainda que a incidência da fome no país "continua a diminuir de maneira constante".
Apesar destes avanços, o organismo da ONU lembra que o país "continua a ocupar a 172ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano" e ainda "tem muito trabalho a fazer para alcançar o primeiro dos Objectivos do Milénio", a erradicação da pobreza extrema e da fome.
A FAO salienta que o "caso bem sucedido de recuperação" de Moçambique deveu-se a diversos factores como a "estabilidade macroeconómica, a reforma normativa, o investimento governamental em favor da população pobre e uma ajuda massiva de apoio ao desenvolvimento socioeconómico".
Outro "aspecto fundamental" para a recuperação pós-conflito, segundo o documento, foi o "esforço realizado para resolver as questões relativas ao acesso à terra", bem como a "solidez da coordenação e harmonização dos doadores no apoio aos programas governamentais". A política agrária moçambicana, que entrou em vigor em 1997 e "conseguiu manter a ordem e a segurança alimentar e fomentar novos investimentos", é também apontada pela FAO como uma "peça chave" para os progressos alcançados.
"Este marco ajudou, em grande medida, a promover uma via mais equitativa e sustentável face ao crescimento económico e desenvolvimento social num país com uma população predominantemente rural", refere o relatório.
@VERDADE – 06.10.2010
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Castanha de caju: Desenterrar a indústria

Para aquele que já foi um dos maiores produtores mundiais de castanha bruta e um dos maiores exportadores de amêndoa processada nos anos ‘70, actualmente Moçambique é apenas um pequeno competidor num mercado dominado por Índia, Brasil e Vietname. Cerca de 95% da presente produção cabem aos pequenos agricultores que, embora arrastados numa espiral de obstáculos sem fim, dão o seu contributo para o renascimento de uma indústria cuja recuperação, a curto ou médio prazo, é considerada utópica.
Com 15 anos de idade, Mateus Abílio já trabalhava para o seu pai que, além da família, também empregava mais dois camponeses na sua pequena plantação de caju no distrito de Mogincual, província de Nampula. Em 1972, herdou 200 cajueiros e começou a plantar mais árvores à medida que o tempo ia passando.
Actualmente, com 57 anos, conta com um pouco mais de 1500 cajueiros e emprega dois agregados familiares constituídos por cinco e seis pessoas. Em média, chega a produzir 500 sacos (50 quilogramas) de castanha de caju e vende à porta da fábrica. “Hoje a venda de caju rende menos do que no passado”, lembra com nostalgia.
Ernesto Fabião Sitoiana, de 61 anos de idade, começou a produzir, em tempo parcial, castanha de caju por volta de 1985, em Gaza, e dispunha apenas de uma dezena de cajueiros. Em 1990, quando já contava com um pouco mais de 20 árvores, começou a ganhar o gosto pelo negócio.
Hoje, reformado, Sitoiana dedica-se, a tempo inteiro, à produção da castanha de caju para fazer sumo, bebidas alcoólicas, mel, xarope e compota de caju. Não tem trabalhadores, conta somente com a ajuda da sua esposa. Actualmente, possui mais de 50 cajueiros e tem vindo a plantar outras árvores. Produz, em média, 30 sacos de caju, dos quais metade é processada em casa e vendida. “Consigo algum dinheiro para sobreviver”, diz.
João Alfainho, de 58 anos, diz que começou a produzir castanha de caju por curiosidade, depois de ter perdido o seu emprego na sala de corte de uma fábrica de processamento de castanha. Mas, antes de obter um emprego na fábrica, João já havia plantado cerca de 15 cajueiros, os quais eram cultivados pela sua esposa.
Após a fábrica na qual trabalhava ter sido encerrada, viu-se forçado a apostar na produção daquela cultura para comercialização local. De 1997 até hoje, João Alfainho e a sua esposa possuem um total de 2 mil cajueiros e empregam quatro camponeses, além dos seus três filhos. O produto é todo vendido exclusivamente para a fábrica que subsidia a produção.
Abílio, Sitoiana e Alfainho são exemplos de pequenos agricultores que dão o seu contributo para o renascimento de uma indústria que tem estado mergulhada em dificuldades desde os anos ‘70, quando Moçambique era líder mundial do sector.
A actual produção de castanha de caju em Moçambique é garantida, maioritariamente, pelos pequenos produtores que vendem o seu produto à porta da fábrica ou nos mercados informais. Mas os agricultores enfrentam diversos constrangimentos, dentre eles a dificuldade de acesso ao mercado, carência de insumos e baixa de preços, factores que desanimam os agricultores, pois as colheitas têm estado em queda livre e estes necessitam de fazer melhoramentos na produtividade, rentabilidade e sustentabilidade da produção.
A nível nacional, o caju é uma das fontes de rendimento e emprego de muitas famílias nas zonas rurais. Aliás, os pequenos produtores fazem da castanha de caju uma cultura valiosa para a segurança alimentar e a melhoria do nível de vida.
Os produtores familiares continuam a participar na economia informal. Dados existentes dão conta de que, em Moçambique, perto de um milhão de agregados familiares tem acesso a cajueiros.
De líder a simples competidor
Moçambique tem uma história tanto no processamento como na exportação de castanha processada e em bruto. Os dados mostram que, antes da independência, quando a produção de castanha de caju apresentava níveis mais altos que os actuais, o país exportou tanto amêndoa de caju, como castanha em bruto, em quantidades significativas, numa altura em que contava com fábricas de grande capacidade de processamento.
Ao longo do século XX, numa época em que as plantações eram geridas pelos portugueses, Moçambique era o principal produtor mundial de castanha de caju. Até à década de ‘60, o país produzia metade da castanha de caju a nível mundial com a produção atingindo o cume nas vésperas da independência com cifras de 200 mil toneladas por ano.
Em 1972, a produção alcançou o seu ponto mais alto com a comercialização de 216 mil toneladas, sendo então Moçambique o maior exportador mundial. Mas, os problemas no sector da castanha de caju começaram a agudizar-se logo após a independência em 1975, assistindo-se a uma redução drástica na produção e, consequentemente, na exportação.
Os referidos níveis de produção não se mostraram sustentáveis devido às políticas estatais inconsistentes, à guerra civil, aos baixos preços ao produtor, às redes de comercialização debilitadas, à escassez de instrumentos, de bens de consumo e de alimentos, às secas, ao envelhecimento das árvores, às doenças e queimadas descontroladas.
Quando a indústria vivia os seus melhores dias, cerca de 17 mil trabalhadores estavam empregues nas 14 grandes fábricas mecanizadas. As grandes plantações do país e a próspera indústria de processamento nacional davam a Moçambique uma grande reputação em todo o mundo.
Mas, em 1994, as fábricas estatais foram vendidas a privados e, um ano depois, o Governo, sob pressão do Banco Mundial (BM), liberalizou o sector de caju, removendo a protecção da indústria e abrindo, assim, o sector ao comércio internacional de modo a elevar o preço da castanha ao produtor e criar incentivos para novos plantios e melhoramentos das árvores existentes.
A indústria nacional ressentiu- se das medidas desajustadas do BM e queixa-se dos preços exorbitantes ao produtor e de não conseguir competir com os seus mais directos concorrentes sobretudo a Índia, por sinal país que importa a maior parte da produção comercializada em Moçambique. Até aos finais da década de ‘90, a maior parte das fábricas encontrava-se encerrada e Moçambique passava, assim, de líder a um pequeno competidor.
Recuperar a liderança é utopia
Para recuperar os elevados índices de produção de castanha de caju, Moçambique terá de fazer investimentos massivos. Aliás, alguns produtores, empresários, assim como todos os intervenientes do sector de caju consideram ser utópico pensar que o país possa voltar, a curto ou médio prazo, a ocupar uma posição de destaque a nível mundial.
As actuais quantidades de produção são desanimadoras, pese embora se registe uma modesta melhoria nos últimos anos. Mas, apesar dos desafios, os produtores mostram-se optimistas quanto ao futuro da produção nacional a longo prazo, pois, embora não seja satisfatório, verifica-se um crescimento tímido.
Entre 1997 e 1998, a produção oscilou entre as 40 mil e as 60 mil toneladas. Já na campanha de 2001/2, alcançou 51 mil toneladas tendo sido obtidas 63 mil em 2002/3, cifra muito abaixo da meta de 79.400 toneladas estabelecida pelo Governo para essa campanha. Nessa altura, o país só logrou processar cerca de 3 mil toneladas.
Neste momento, a produção nacional não atinge as 100 mil toneladas por ano, quantidade necessária para a viabilização de qualquer indústria do sector. Ou seja, actualmente por ano o país produz, em média, 90 mil toneladas de castanha e na última campanha Moçambique produziu 95 mil toneladas.
Os factores climatéricos, aliados ao bom preço praticado junto do produtor, as pulverizações bem como a floração fora do período normal, sobretudo na região sul de Moçambique, foram alguns dos aspectos que contribuíram para uma boa campanha.
Importa referir que esta inicia-se em Outubro e termina em Março, mas, às vezes, devido à floração dos cajueiros fora do período normal, o fecho da campanha, comercialização incluída, ocorre em finais de Abril.
Os dados actuais mostram ainda que a indústria de processamento de castanha de caju em Moçambique tem estado a renascer, embora de forma lenta, uma vez que, de três unidades activas em 2002, o país já conta com 23 unidades industriais em pleno funcionamento, que processam anualmente cerca de 27 mil toneladas nas zonas rurais e empregam pouco mais de oito mil trabalhadores.
O objectivo fundamental estabelecido para o sector do caju é incentivar o sector familiar a aumentar a produção da castanha ao mesmo tempo que a indústria de processamento local acrescenta valor antes da exportação da castanha em bruto.
Mas os especialistas na área afirmam que o progresso do sector depende de uma melhoria do ambiente de negócios, da redução de custos de transportes e da melhoria da capacidade de gestão.
Fortalecer a indústria africana
A indústria africana do caju é responsável por mais de um terço da produção mundial e tem um potencial para produzir mais de 300 milhões de dólares em valor acrescentado, além de criar mais de 200 mil novos postos de trabalho nas áreas rurais. Mas o produto é exportado para os mercados internacionais, onde é processado e, consequentemente, ficam os ganhos. Calcula-se que haja 2 milhões de famílias envolvidas na produção e comercialização de caju e 10 milhões de pessoas sobrevivem dessa actividade.
Num evento que juntou mais de 250 parceiros de todo o mundo, a Aliança Africana do Caju (ACA), em parceria com o Instituto de Fomento do Caju (INCAJU) e a Associação dos Industriais do Caju (AICAJU), organizou nos passados dias 14 e 15 a Quinta Conferência Anual em Maputo com o tema “Fortalecer a Indústria!”, com objectivo de alargar o mercado, criar novos postos de trabalho e aumentar a renda dos agricultores.
Para a ACA, “fortalecer a indústria” significa proporcionar a todos os intervenientes informações e ligações para o melhoramento da produtividade, expansão do processamento e comercialização da cadeia de valor do caju.
Desde a criação da ACA em 2005, assistiu-se a um crescimento no processamento da castanha de caju, de 35 mil toneladas em 2006 para mais de 75 mil toneladas em 2009, para além de se ter criado mais 15 mil novos postos de trabalho.
Refira-se que a indústria moçambicana de processamento de caju, durante os últimos cinco anos, criou cerca de 4500 empregos, dos quais 39% para as mulheres, contribuindo para a renda de mais de 22.500 famílias nas zonas rurais, e gerou mais de 50 milhões de dólares americanos em receitas derivadas das empresas que adquirem o produto.
Friday, October 1, 2010
Manuseamento de mercadoria: Nacala caminha para entreposto internacional

TORNAR Nacala num pólo de modernização tecnológica e, simultaneamente, num entreposto internacional de referência, a partir do qual se pode proceder à redistribuição de mercadorias para vários cantos do Mundo, está no rol das principais expectativas do Governo em relação à Zona Económica Especial de Nacala (ZEE). Tal vontade salientou-se nas intervenções efectuadas ontem, em Nacala, nos trabalhos da conferência de desenvolvimento desta região económica da província de Nampula.
Maputo, Sexta-Feira, 1 de Outubro de 2010:: Notícias
Outros desafios, com o mesmo propósito, compreendem, nomeadamente, a atracção de investimento público e privado, visando promover a exploração do potencial da ZEE, particularmente no seu sistema ferroviário e do porto local, estimulando o volume de carga manuseada.
Pretende-se igualmente em relação a esta primeira zona, a ser concebida no país, abranger o vizinho distrito de Nacala-a-Velha, impulsionando-se o desenvolvimento das províncias circunvizinhas, bem como dos países que beneficiam do Corredor de Nacala, designadamente Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, Tanzânia e o Congo Democrático.
Entretanto, segundo revelou o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, cerca de sete mil postos de emprego fixos foram criados desde que foi instituída, há cerca de dois anos, a zona económica de Nacala, onde já operam um total de 14 empresas certificadas, que investiram para a sua implantação um montante estimado em 276 milhões de dólares norte-americanos.
As empresas certificadas para operar na zona são dos ramos da indústria, agro-indústria, serviços e comércio, para além do turismo. O sector da indústria, que registou um volume de investimentos estimado em 232 milhões de dólares, é aquele que garante, neste momento, maior número de postos de trabalho fixo, com um total de 3477 operários.
O montante de investimento realizado para a implantação dos 14 projectos certificados na ZEE de Nacala foi suportado quase na totalidade pelo sector privado nacional, facto que, na óptica de Cuereneia, espelha o grande compromisso daquela camada em desenvolver acções que possam induzir o crescimento económico, aproveitando as oportunidades existentes naquela região.
Por seu turno, Danilo Nalá, Director-Geral do Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA), disse que pretende-se em relação a Nacala que seja um pólo de modernização tecnológica e um entreposto internacional de referência a partir do qual se pode proceder à redistribuição de mercadoria para vários cantos do Mundo.
O Reitor da Universidade do Lúrio, Jorge Ferrão, um dos convidados, falando na ocasião, recordou que a concretização dos objectivos supracitados depende da competência dos activos humanos. Para tal, o Governo e o sector público devem olhar para a criação de institutos técnico-profissionais e universidades para que formem recursos humanos qualificados em áreas específicas, garantindo a prossecução dos projectos em curso.
Carlos Tembe
Mais um caso de linchamento

Foi por volta das 21horas desta quarta-feira, que um grupo de populares enfurecidos do bairro Torrone Novo, na cidade de Quelimane, espancaram até à morte um indíviduo, que até agora desconhece-se a sua identificação.
Segundo contaram os presentes na manhã desta quinta-feira, a vítima começou a ser espancada no interior do bairro e veio ser abandonado ao pé da estrada, numa lixeira, mas depois de levar muitos golpes e com um pneu já na cintura.
Não se conhece a identificação porque, no local, quando a nossa reportagem chegou, quase todos diziam que não conhecem a vítima. Ainda no local, alguns mais corajosos disseram sem dar a cara que o linchamento deste indivíduo, resulta da fúria popular, cansada de ser roubada seus bens e sem acção visível da polícia.
As imagens que captamos logo pela manhã e que apresentamos ao estimado leitor sem que sejam editadas, mostram claramente que faltou pouco para que este cidadão não fosse ateado fogo, porque todas condições já haviam sido preparadas para o efeito. Ao que se vê, são paus, capim entre outro combustível lenhoso que com um simples isqueiro a vítima estaria em cinzas. Mas não foi o caso.
A Polícia da República de Moçambique (PRM), na Zambézia, confirmou através do seu porta-voz, Ernesto Serrote, que tratou-se de linchamento, porque após uma perícia da equipa da Polícia de Investigação Criminal (PIC), provou-se de facto que ate ateou-se fogo a vítima. Aliás, de acordo com Serrote, no terreno a equipa da PIC não teve dúvidas em ver que o fogo teria sido ateado ao corpo.
Segundo avançou o porta-voz da PRM nesta parcela do país, em conexão com este caso, foi detido uma cidadã que se presume ter sido a agitadora da fúria popular que culminou com a morte deste indivíduo.
Com este caso, a cidade de Quelimane, regista já o terceiro na sua contabilidade. Ainda sem rostos e com presença considerável de crianças, os casos vão subindo, mesmo com diversas campanhas que se fazem, parecem estar longe da realidade no terreno.
A polícia vai se desdobrando em minimizar os casos que se vão registando e a população não perde tempo em afirmar que os linchamentos ocorrem por inoperância da corporação, visto que quando a população encaminha um suposto malfeitor, horas depois este é solto e vem ajustar as contas com aqueles que o conduziram a esquadra.
DIÁRIO DA ZAMBÉZIA – 01.10.2010
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