BLOG DEDICADO À PROVINCIA DE NAMPULA- CONTRIBUINDO PARA UMA DEMOCRACIA VERDADEIRA EM MOCAMBIQUE

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Friday, June 4, 2010

Ninguém vai atrever-se em investigar Bachir Sulemane




Já corrompeu a Polícia que deveria investigá-lo e o Governo só pode defendê-lo MAPUTO – Um analista político ouvido, pelo A TribunaFax, em relação ao alegado envolvimento de Mohomed Bachir Sulemane no tráfico de drogas, considera que ninguém irá atrever-se em investigar este cidadão milionário, porque goza de muitas simpatias do Presidente da República, Armando Guebuza, do partido e Governo da Frelimo, no poder.
“Este caso vai morrer assim mesmo, tal como tem acontecido com outros tantos casos. Ninguém vai atrever-se em investigar o envolvimento de Mohamed
Bachir Sulemane no tráfico de drogas, uma vez que ele é amigo pessoal do Chefe de Estado, Armando Guebuza e um financiador-mor das campanhas do partido no poder, Frelimo, em momentos eleitorais”, disse, a este Jornal, um analista político da praça, frisando que “mesmo as capulanas, as camisetes e os bonés que a Frelimo anda a distribuir, em momentos eleitorais, quem manda trazer da China, em contentores, é Mohamed Bachir Sulemane. Como acha que a Frelimo irá julgar este indivíduo?” – questiona.

A fonte disse, ainda, que “como que a puxar saco de Guebuza, Bachir Sulemane designou um espaço, no Maputo Shopping Centre, de Guebuza Square, o que é em Inglês, significa Praça Guebuza”, por isso, “o Governo, apenas, vai sair em sua defesa”.
Disse que o Governo tem vindo a reclamar devido ao recrudescimento do crime violento, que, por sinal, está ligado ao crime organizado, também, por seu turno, relacionado ao tráfico de drogas.
“Como é que o Governo vai debelar o crime violento se titulares de órgãos do Governo e de soberania convivem com os barões de tráfico de drogas” – questiona e avança – “a corrupção reinante, neste país, faz com que Moçambique seja terreno fértil para o tráfico de drogas, além de outras ilicitudes.
“Mohamed Bachir Sulemane ofereceu, à Polícia da República de Moçambique, 50 motorizadas e igual número de telefones celulares, com respectivos pacotes iniciais, num acto testemunhado pelo ministro do Interior, José Pacheco.
Bachir Sulemane manda a todos, até a Polícia”, referiu a fonte, lembrando que Pacheco disse, na ocasião, que “com estes novos meios, a Polícia vai melhorar o seu desempenho no combate ao crime e desenvolver a sua visão, que é fazer da
ordem e segurança públicas um atractivo para mais investimentos, no País”.
“É para a Polícia combater que crime?
É, claro, para continuar a encarcerar os pilha-galinhas e outros coitados enquanto
os tubarões passeiam sua classe, impunes, sob compadrio de altas figuras do Estado moçambicano”.
A TRIBUNA FAX – 03.06.2010

Thursday, June 3, 2010

Seleção arrasta multidão em Soweto e paga dívida



Apoteótica a ida da seleção brasileira a Soweto neste dia de Corpus Christi. A caminho do estádio com amigos, por acaso encontramos o ônibus da delegação ao entrar no bairro. Espetáculo inesquecível mesmo para os mais experimentados e de coração mais duro.

As motos dos batedores, as dúzias de carros de polícia, sirenes ligadas, os policiais de metralhadoras -absolutamente dispensáveis- à mostra serviram ao menos para anunciar a chegada.

O que se viu foram mulheres com crianças de colo, jovens, homens de todas as idades, uma multidão enlouquecida ao longo das calçadas e ruas poeirentas, a acenar para qualquer carro, qualquer um que fosse ou parecesse ser da comitiva.

O Brasil devia essa visita a Soweto, à África. Dunga esteve com Nelson Mandela em fevereiro, mas o time, pelo menos algum dos jogadores, estava em dívida com o bairro símbolo da resistência ao apartheid.

Há um ano o Brasil jogou e venceu na África do Sul a Copa das Confederações. Então, treinou em Soweto, no estádio do Orlando. Apenas treinou, e, em Johannesburgo ao contrário de Bloemfontein, sempre de portões fechados.

O estádio do Orlando, a poucos quilômetros do impactante Museu da Consciência Negra. Nem assim uma visita, mesmo que de apenas um jogador.

Se dirá que a seleção não tinha, não tem nenhuma obrigação com a história de Soweto, da África do Sul, da África. Que tinha, e tem, compromissos importantíssimos que exigem, e exigem mesmo, concentração, foco absoluto.

É uma maneira de ver as coisas, mas há outras. A inexistência de compromissos formais, oficiais, não impede que cada um, ou um grupo, se imponha compromissos morais.

Em 94, por exemplo, a seleção chegou e saiu dos Estados Unidos com um compromisso, além do maior, de ganhar a Copa. O compromisso de homenagear, honrar um herói nacional, Ayrton Senna. E o fez minutos depois de vencer a Copa.

O compromisso agora não é, não deveria ser, com um bairro de negros ou de brancos, mas com uma história que todo o mundo conhece, ou deveria conhecer. No mínimo pela origem inegável, ainda que perdida no tempo, de tantos dos rapazes do Brasil.

Pela segunda vez em 48 horas os brasileiros da seleção puderam sentir de perto a profunda admiração da África pelo futebol brasileiro, por extensão pelo Brasil.

Há quem desdenhe, mas isso não é pouco. No século XX, antes até do desembarque de fuzileiros, com Hollywood na primeira metade, com astros da cultura pop e do esporte à frente nos últimos 50 anos, os Estados Unidos ganharam corações e mentes mundo afora.

Na quarta-feira, pelas ruas de Harare, a seleção foi saudada por milhares de africanos do Zimbabwe, muitos com a camisa amarela. E foi ovacionada no estádio.

Um dia depois, festa nas arquibancadas do Dobson Ville, euforia pelos becos e vielas de Soweto. O treino de portões abertos desta quinta é daqueles obrigatórios da FIFA, mas ao fazê-lo em Soweto, por obrigação ou não, a seleção beneficiou também a si mesma.

Ao ir a Soweto, a seleção amplia a simpatia dos sul-africanos pela seleção, pelo Brasil; não pela pátria dos constrangedores discursos oficiais, mas pelo ente multicultural que habita o imaginário mundo afora.

Ao ir a Soweto, ao menos passar de passagem por suas ruas e arrastar atrás de si uma multidão, ao ouvir a paixão que vem das arquibancadas, a seleção brasileira se alimenta do que pode haver de mais belo e nobre no futebol. Na vida.




Fotos de Reinaldo Marques/Terra
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Wednesday, June 2, 2010

Beautiful island in mozambique (pemba) for sale




Mozambique island - great opportunity
Ilha de Congo forms part of the Quirimbas Archipelago which is situated along the east coast of northern Mozambique. This archipelago comprising some 30 islands, begins just north of Pemba; the capital city of the Cabo Delgado Province and stretches north towards the Tanzanian border and beyond.
The Island has a 5 year development period, it has been acquired in September 2008, leaving us with a four year period. It has been earmarked for small tourism development.
* Price: 900,000 USD (Land / Lot area: 0.12 USD / m2)
Date & Time Listed: 2010-06-01 19:32:10

http://www.mondinion.com/Real_Estate_Listings/adid/411966/Mozambique--Cabo_Delgado--Cabo_Delgado--Island_for_Sale/

NOTA:

Mas isto é possível em Moçambique? Vender terra?

Fernando Gil

MACUA DE MOÇAMBIQUE

Apoiante da Frelimo na Lista Negra Americana do Narcotráfico

Mohamed Bachir Suleman, proprietário do chamado grupo de empresas MBS, consta da lista negra de narcotraficantes acabada de ser divulgada pelo presidente dos Estados Unidos da América. Antigo proprietário de um talho em Nampula, Suleman surgiu repentinamente à testa de empreendimentos de vulto em Maputo, mormente o «Kayum Centre» e mais recentemente o centro comercial situado na zona nobre da capital moçambicana, nas proximidades do Gabinete do Primeiro-Ministro, ostentando sinais exteriores de riqueza incompatíveis com a actividade comercial que desenvolve. Suleman, que chegou a estar detido na Suazilândia, é um dos mais sólidos suportes financeiros do Partido Frelimo, formação política que detém o poder em Moçambique.

De acordo com a lei dos Estados Unidos, a nomeação de Mohamed Bachir Suleman congela automaticamente os bens de três dos seus negócios na América e proíbe cidadãos americanos de negociarem com ele.

http://www.whitehouse.gov/the-press-office/letter-president-regarding-foreign-narcotics-kingpin-designation-act


The White House
Office of the Press Secretary
For Immediate Release
June 01, 2010
Letter from the President Regarding the Foreign Narcotics Kingpin Designation ActTEXT OF A LETTER FROM THE PRESIDENT
TO THE CHAIRMEN AND RANKING MEMBERS OF THE HOUSE AND SENATE COMMITTEES ON ARMED SERVICES AND THE JUDICIARY, THE CHAIRMAN AND RANKING MEMBER OF THE HOUSE COMMITTEE ON FOREIGN AFFAIRS, THE ACTING CHAIRMAN AND RANKING MEMBER OF THE HOUSE COMMITTEE ON WAYS AND MEANS, THE CHAIRMAN AND RANKING MEMBER OF THE HOUSE PERMANENT SELECT COMMITTEE ON INTELLIGENCE, THE CHAIRMEN AND RANKING MEMBERS OF THE SENATE COMMITTEES ON FOREIGN RELATIONS
AND FINANCE, AND THE CHAIRWOMAN AND VICE-CHAIRMAN OF THE SENATE SELECT COMMITTEE ON INTELLIGENCE
Dear Mr. Chairman: (Dear Madam Chairwoman:)
(Dear Mr. Vice-Chairman:) (Dear Representative:)
(Dear Senator:)
This report to the Congress, under section 804(a) of the Foreign Narcotics Kingpin Designation Act, 21 U.S.C. 1901-1908 (the "Kingpin Act"), transmits my designations of the following five foreign individuals as appropriate for sanctions under the Kingpin Act and reports my direction of sanctions against them under the Act:
Haji Agha Jan Alizai (Afghanistan)
Haji Bando (Afghanistan)
Ousmane Conte (Guinea)
Sergio Enrique Villarreal Barragan (Mexico)
Mohamed Bachir Suleman (Mozambique)
Sincerely,
BARACK OBAMA

Tuesday, June 1, 2010

Virar para onde, quando podemos mudar?

Por Lázaro Mabunda
Fartei-me de “gerar” uma “viragem” na minha mente, enganando-a que ela é que era pobre, pelo que havia uma necessidade inevitável de combater, fervorosamente, a pobreza que nela (mente) residia como o primeiro passo para erradicá-la do país.
Virei para todos os lados à procura de uma geração, no mundo, que tivesse combatido a pobreza pelo discurso e gritos aos quatro ventos de que “somos uma geração de virar a pobreza”. Não encontrei nenhuma. Aliás, encontrei a geração dos “Tigres Asiáticos” que conseguiu prosperidade por projectos de desenvolvimento devidamente concebidos, sem ter nunca martelado as mentes dos seus compatriotas por discursos de viragens políticos.
Na verdade, senti que por tanto virar à procura de uma geração, peguei vertigens e acabei perdendo, por alguns segundos, o norte e a direcção que pretendia seguir no combate à pobreza.

Concluí que nós nos perdemos muito nos discursos do que nos planos concretos de combate à pobreza. A pobreza não será combatida por uma geração que vira ou não vira, mas por gerações que, mais do que reproduzir discursos políticos, desenham projectos concretos de geração de riqueza ou produzem ideias inovadoras e consistentes que irão, num futuro próximo, ser transformadas em planos concretos de geração de riquezas.


Não será o grito de que “sou ou somos da geração de viragem” que irá amedrontar a pobreza do nosso país. Muito pelo contrário, isso só nos vai entreter e tornando-nos jovens intelectualmente redondos e quadros.
O que me impressiona nesta juventude – minha geração – é a capacidade extraordinária de confundir um simples discurso político de um projecto político-social, a capacidade fenomenal de fazer acreditar as pessoas que um gato nem sempre é gato, em alguns momento é rato e vice-versa. Esta geração é tão capaz, como dizia Miguel Sousa Taveres, de produzir um Roosevelt - que impõe ao povo americano a obrigação histórica de salvar a Europa do nazismo - como são capazes de produzir um George W. Bush, que impõe ao país uma guerra sem sentido, apenas destinada a servir a sua vaidade de se proclamar “um Presidente de guerra”. Tanto é capaz de produzir “um Bill Clinton, que restabeleceu a economia e a imagem externa dos EUA, como uma Sarah Palin, talvez futura presidente, cuja absoluta ignorância, estupidez natural e incompetência são mais perigosas do que 10 Bin Ladens à solta”.
Somos, infelizmente, uma camada social capaz de mobilizar cegamente uma nação inteira, num instante, a aderir um discurso político sem que antes tenhamos analisado a essência e o alcance do mesmo.
Antes de pegarmos em tambores e sairmos às ruas pregar um falso evangelho, temos uma obrigação e dever moral e patriótico de filtrar as impurezas que os discursos políticos contêm, capazes de envenenar uma geração toda. Há uma obrigação humana de distinguir futilidades do que é importante, utilidade de inutilidade, o indispensável do dispensável e, acima de tudo, saber dizer que “geração de viragem” é diferente de “Geração de Mudanças”.
Entre o virar e o mudar, prefiro não virar.
Temos de procurar saber se o discurso de andamos a reproduzir, a altos sons, revitaliza as fábricas encerradas ao longo dos anos, por quebra de vendas; se cria emprego ou se nos faz respirar ares de alívio do défice público e, sobretudo, se nos coloca numa situação de independência económica em relação ao exterior. O custo de vida em Moçambique disparou vertiginosamente, porque o dólar e o rand escasseiam no mercado, o que, consequentemente, origina uma procura desenfreada dessas divisas, criando, assim, condições para a inflação de produtos, uma vez sermos um país eternamente consumista do produtor. Disto, nenhuma geração fala e nenhum político reproduz. Mas é isso que devemos procurar discutir e encontrar soluções.
Nós temos de saber que somos aquilo que somos, e seremos no futuro, mais por aquilo que fazemos e por aquilo que nos acontece e nos acontecerá.
Um homem, dizia um escrito português, é quem é, mais o seu bom nome, a sua honra, os princípios que traiu ou não traiu. E vive com isso e é julgado por isso pelos outros. E não tenho nenhuma dúvida que esta geração será julgada por viragens desnecessárias do que pela mudança de atitude.
Não estou a defender que os jovens não devam ser reprodutores de discursos políticos, mas que antes devem analisar se esse discurso tem princípio, meio e fim ou não.
Questiono-me sempre sobre o pressuposto – pelo menos um – que define a geração de viragem. Pelo menos o objecto da Geração 25 de Setembro era a Libertação da Nação e dos Homens, razão pela qual pegou em armas e libertou o país e os seus respectivos homens. A Geração 8 de Março tinha como missão: assegurar a máquina administrativa do país, e assim abandonou – de forma forçada, convenhamos dizer – os seus projectos para abraçar sectores-chave após a fuga de portugueses.
E a geração de viragem? É uma geração parida de um simples discurso presidencial. Uma geração que foi nascida sem nunca ter sido concebida. Uma geração que não seguiu as regras da natureza – nascimento e crescimento natural de uma ideia, nem de qualquer que seja ser vivo.
Se o objecto da geração de viragem é a pobreza e o seu combate, então, deveria ter antes desenhado um projecto sobre como essa geração irá combater a pobreza. Para mim, para ser uma geração precisa de abandonar os seus postos de trabalhos, as suas casas, os seus sonhos para ir trabalhar nos campos agrícolas, na reabilitação e construção de infra-estruturas básicas como vias de acessos, escolas, hospitais. Precisa igualmente de largar os seus projectos pessoais para trabalhar como voluntária em projectos que irão salvar milhares de moçambicanos, além de alavancar o desenvolvimento do país. Hoje, temos milhares de crianças sem acesso à escola por falta de infra-estruturas e professores; temos milhares de mulheres, homens e crianças que morrem por falta do hospitais e de médicos, enfermeiros e serventes...Se esta geração cumprir o que acima levantei, há condições para que de facto seja uma geração.
Pelo menos, eu não quero virar. O que quero, da juventude, muitos sabem: mudança. Acho que mais do que virarmos, o que nos pode criar problemas, temos de mudar. Mudar no sentido de que devemos deixar de ser reprodutores para sermos produtores, reactivos para sermos pro-activos e devemos deixar de ser passivos para sermos activos.
Virar para mim tem, em algum momento, uma conotação negativa. Vira o que não está em condições. Por outro lado, vira-se um objecto e não algo abstracto. Virar pobreza é o mesmo que virar o ar.
O PAÍS – 31.05.2010